The Social Network (2010)

1 11 2010

A história do Facebook como ela é: O orkut veio primeiro. Todo mundo usava e era feliz. Então brasileiros começaram a monopolizar a rede social, e os americanos ficaram de saco cheio e não souberam o que fazer pra se livrar de nossa má influência. Então migraram em peso para o Facebook, um site notoriamente inferior com que ninguém se importava até então. Aí veio o twitter e agora todos estão felizes. Fim.

A história do Facebook segundo “The Social Network”: Um drama arrastado de duas horas de duração em que as pessoas gastam metade do tempo falando (E, só Deus sabe o porquê, falando numa velocidade ridiculamente rápida) de informática e sobre como computadores são legais, e metade do tempo falando de processos jurídicos e como eles também são LEGAIS. (ahn, ahn?) Ah sim, também tem uma hilária e completamente desnecessária competição de REMO em algum lugar no meio do filme para dar variedade.

Isso é o máximo que você vai ter de empolgação em "The Social Network".

Sabe o que é mais legal em um filme que deveria apenas contar a história da criação de um site? Basicamente David Fincher nos entrega uma obra inteiramente parcial e maniqueísta.

Jesse Eisenberg, o Michael Cera do terceiro mundo, interpreta Mark Zuckerberg, o cabeça do Facebook ou, na visão do filme, o VILÃO. Já Andrew Garfield, do alto de seus 67 anos de idade, interpreta Eduardo Saverin, o melhor amigo de Mark, e único brasileiro completamente honesto da história do país. Então você senta por 2 horas e ouve sobre como Mark é uma péssima pessoa e como o pobre Eduardo foi blindsided. Fascinante.

O pior é que o filme tenta disfarçar a manipulação dos fatos com uma narrativa alicerçada em flashbacks, que teoricamente ilustram os distintos pontos de vista de todos os envolvidos na criação do Facebook. Bela tentativa, exceto pelo fato de que TODAS as visões mostram exatamente a mesma coisa: Mark como um monstro anti-social, interesseiro, manipulador e egoísta, e Eduardo como a donzela  em apuros, pueril e indefesa contra os perigos do mundo capitalista.

Andrew Garfield com certeza foi uma ótima escolha para viver Ben Parker no próximo Spider-Man! Ah, o que? Ele vai ser o Peter? FUUUUUUUU

Não por acaso, os melhores momentos do filme são os que não envolvem nenhum desses personagens incrivelmente rasos e unidimensionais, mas sim o cativante Sean Parker, interpretado por Justin Timberlake.

Talvez seja porque ele fundou o Napster, (ou seja, algo que realmente fez diferença para a humanidade, ao contrário do Facebook) ou talvez seja o fato de que sua história é contada numa conversa de bar em 5 minutos, não num drama de 2 horas. A verdade é que a vida de todas essas pessoas não era digna de ser mostrada num filme, e Sean sabe disso. Então ele apenas senta e fala: “Eu queria impressionar uma garota e me dar bem. Aí criei o Napster. Deu muita merda na esfera jurídica, mas não vou entrar em detalhes. Enfim, eu ferrei com a indústria musical. Legal, né?” Sim, muito legal, Sean! Obrigado! De verdade!

Sabe o que não é legal, no entanto? Facebook, remo, e Andrew Garfield.

Sente e olhe para esta foto por 2 horas. Pronto, você acaba de assistir "The Social Network".

Eu realmente não consigo conceber como “The Social Network” poderia ser pior do que é. Ok, talvez se ele fosse dirigido pelo James Cameron. Continuaria tendo maniqueísmo barato,  só que seria em 3D.

POPoints: 29%

- Thomas Schulze





PS3/X360 – Scott Pilgrim vs. The World (2010)

4 10 2010

A mesma velha história de sempre... Garoto conhece garota, garoto se apaixona pela garota, garoto precisa derrotar os sete ex-namorados malignos da garota.

Uma das razões pela qual a HQ canadense Scott Pilgrim vs. The World fez um enorme sucesso no mundo das histórias em quadrinhos foi o modo como o autor Bryan Lee O’Malley conseguiu dialogar diretamente com o público jovem, fazendo referências a seu estilo de vida, e, ao mesmo tempo, carregando a obra de referências nostálgicas. Neste sentido, o jogo Scott Pilgrim vs the world fica o mais próximo possível de seu material de origem, pois mesmo tendo uma roupagem condizente com os tempos atuais, com seus gráficos sensacionais em alta definição, é uma obra pesadamente inspirada em games antigos.

O jogo é um clássico beat ‘em up. E como tal, se aplica a regra que serve a todos os jogos do gênero: “Jogou um, jogou todos”. O que, é claro, não deve ser encarado como uma crítica, especialmente porque Scott Pilgrim vs the world se une a The Simpsons Arcade Game, Streets of Rage e Double Dragon como um dos grandes jogos do gênero. O único “problema” é que, se beat ‘em ups não fazem seu estilo, não é aqui que você vai mudar de opinião. Dito isto, para os fãs do estilo, trata-se de um prato cheio.

O jogador pode controlar qualquer um dos quatro principais personagens da série, então é possível espancar seu caminho pelas gélidas ruas de Toronto controlando Scott Pilgrim, Ramona Flowers, Stephen Stills, ou Kim Pine. Cada um, claro, com movimentos, pontos fortes e fracos únicos. Pense em cada personagem como uma tartaruga ninja do game Teenage Mutant Ninja Turles: Turtles in Time e terá uma boa ideia do que esperar em termos de habilidades de luta.

Se você não admira um jogo cuja tela de seleção de personagens é inspirada em Super Mario Bros. 2, está no site errado.

Não obstante, a comparação mais justa em termos de jogabilidade seria o clássico River City Ransom, que parece ter servido de esqueleto para o game. Afinal, é possível interagir com objetos largados pelo cenário, desde tacos de baseball até bolas de neve. Cada inimigo derrotado deixa dinheiro no chão, que pode ser usado para melhorar o personagem e o transformar numa pequena máquina de matar. Aliás, para auxiliar na matança, há suporte para quatro jogadores em modo co-operativo. Mas nem sinal de um modo de jogo online, então é preciso encontrar três amigos e dividir o sofá para usufruir de toda a diversão que o game tem a oferecer.

A trama segue a mesma ordem da história em quadrinhos. Para os que não estã familiarizados, Scott Pilgrim deve derrotar a liga dos sete ex-namorados do mal de Ramona Flowers a fim de poder ficar com a garota para sempre. Simples assim. O game possui uma fase para cada ex-namorado, resultando num total de sete níveis de insanidade e psicodelia crescente que devem ser batidos a fim de enfrentar o temível vilão Gideon no último nível.

O número de fases é adequado, especialmente considerando a alta dificuldade do game. Numa campanha single player, retornar para fases antigas a fim de subir o nível do personagem é praticamente essencial para conseguir zerar a aventura. E vale frisar, fazer isso não é frustrante e/ou entediante, muito menos um truque barato para fazer a campanha durar mais, já que é bastante divertido e gratificante revisitar cenários e ver o personagem ficar mais forte e chutar mais e mais bundas canadenses.

A trilha sonora é cortesia da banda de chiptune Anamanaguchi e é incrivelmente empolgante, honrando a memória de grandes trilhas sonoras 8-bit como MegaMan e Contra. É a típica seleção de músicas que deveria ser lançada em CD, pois gruda na cabeça e dá vontade de ouvir mesmo quando não se está jogando.

Cofrinhos alados, estrada em forma de arco-íris, blocos do Super Mario no caminho, erros de programação no céu... Um típico dia na vida de Scott Pilgrim.

O grande mérito do jogo Scott Pilgrim vs. the world é capturar perfeitamente o clima dos quadrinhos e dos games beat ‘em up dos anos 1980 e 1990, e ao mesmo tempo ter um brilho próprio que o consagra como um dos games mais divertidos do ano. Por apenas US$10,00, é um game absolutamente essencial em qualquer biblioteca, e potencialmente o melhor download do ano.

POPoints: 88%

- Thomas Schulze





Dear John (2006)

8 09 2010

A orelha de “Querido John” descreve o escritor Nicholas Sparks como “o autor do New York Times com mais de 13 títulos publicados e o único autor contemporâneo a emplacar, por mais de um ano, um romance na lista dos mais vendidos.” Uma descrição mais honesta diria “Nicholas Sparks é uma moça”. Uma descrição ainda mais honesta diria “Nicholas Sparks é uma moça com severo retardo mental”.

Nicholas Sparks, em foto recente.

A sinopse oficial revela que o livro trata de um amor fortemente influenciado pelo 11 de Setembro. O protagonista, John Tyree, é um militar que deve escolher entre a pátria e o amor de Savannah (Ou Savana. A edição nacional parece indecisa, já que a donzela muda de nome meia dúzia de vezes ao longo da obra.) Lynn Curtis. Interessante, não? Você provavelmente espera uma história cheia de mortes e dilemas morais. Com um pouco de sorte, talvez até uma história de soldado atormentado, que retorna incapaz de amar. Algo na linha dos filmes “Guerra ao Terror” ou “Entre Irmãos”. Mas o que você recebe na realidade? Uma edição da revista capricho com 280 páginas.

Mas nem tudo é feminilidade. Por exemplo, por um capítulo inteiro você vai ler sobre moedas. Pois é. Moedas. Fascinante, não? Em defesa de Sparks, o próprio autor reconhece que o tema é tão interessante quanto segurar um pêssego por 5 horas e meia no centro de Bangu. Pena que isso não o faz parar de falar no assunto. O objetivo, que fique claro, é fazer o leitor sentir simpatia pelo pai doente de John, que vive uma rotina entediante por portar a doença de Asperger. Bom, só porque sua rotina é miserável, não significa que minha leitura precisa ser também.

Mas obviamente não é o arco das moedas que transforma Nicholas Sparks numa moça. É a história de amor entre John e Savannah. Por intermináveis páginas os dois flertam e nada acontece. São encontros seguidos de encontros e nada acontece. Então o que John, como bom soldado, sujeito durão, faz? Rouba um beijo? Manda uma one liner e leva a garota pra cama, estilo James Bond? Não, diz “eu te amo”. Sei que é difícil ler isso e acreditar em mim, então aqui vai uma transcrição do momento:

“‘Você não tem ideia do quanto os últimos dias significaram pra mim’, comecei. ‘Conhecer você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo.’ Hesitei, sabendo que, se parasse agora, nunca seria capaz de dizer a ninguém. ‘Eu amo você’, sussurrei.”.

Os leitores fãs do seriado How I Met Your Mother devem conhecer esse movimento como “o Mosby”, (E os leitores que não são fãs do seriado deviam tomar vergonha na cara e assisti-lo agora mesmo.) e sabem muito bem como uma mulher normal reage ao ouvir isso. Então força, Savannah, defenda a honra das mulheres!

“…ela interrompeu. ‘Você não entende. Não estou com medo por causa do que você disse. Fiquei assustada porque também quero dizer. Eu amo você, John.’”

Apenas porque o post precisava de um pouco de testosterona depois dessa.

Então o namoro começa. E tudo é lindo e maravilhoso. O casal não se desgruda, abre mão de sua individualidade, e vira o típico modelo de relação que todo mundo deveria odiar. Andam juntos de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo. E de novo.

É, eu sei, só quis enfatizar quanto tempo eles ficam colados. Por que? Porque não há sexo! Meu deus, Nicholas Sparks é uma moça! Como um homem, pior, um soldado, que passa meses no deserto sem uma mulher, pode passar tanto tempo com sua namorada e não fazer nada? E desde quando não fazer nada virou um modelo de cavalheirismo a ser seguido? (Ah é, desde Crepúsculo. Obrigado por nada, Stephenie Meyer!)

Eventualmente o sexo acaba rolando, é verdade, mas nesse ponto já é tarde demais e o estrogênio já deve ter dominado todo o organismo do leitor. Mas espere, há uma esperança. Vejam, é o ataque terrorista do 11 de Setembro! FUCK YEAH, teremos uma guerra! John precisa então escolher entre defender os Estados Unidos contra os terroristas ou ficar com Savannah. E escolhe a guerra! Manda ver, John!

Mundo pós 11 de setembro.

Mundo pós 11 de setembro segundo Nicholas Sparks.

O que acontece é que John fica sentado no deserto por anos, sem matar ninguém, apenas como um artifício de roteiro para ver seu relacionamento com Savannah abalado. Aliás, acho que este é o momento oportuno para revelar que Savannah é uma moça. Ok, nada errado com isso, na verdade. Ocorre que ela também é uma moça com severo retardo mental.

Sabe como hoje em dia é possível conversar via webcam para matar as saudades? Sabe como e-mails chegam imediatamente e são incrivelmente fáceis e convenientes de se abrir em qualquer lugar do mundo? Pois é, Savannah não. Ela só manda cartas! Deus, relacionamentos a distância já são quase impossíveis de dar certo, relacionamentos baseados em cartas então…

Por essas e por outras é absolutamente impossível torcer pelo casal, e descobrir que eles não terminam juntos não causa emoção alguma. ( <- Cuidado, spoiler! Ah, tarde demais? Whoa, que pena, hein?) Quer dizer, causa raiva por ter perdido um valioso tempo lendo um livro tão medíocre.

POPoints: 24%

- Thomas Schulze





Inception (2010)

14 08 2010

Nos meus 24 anos de vida, posso contar nos dedos as vezes em que saí do cinema completamente deslumbrado com o que assisti. Em 12/08/2010, Inception se uniu a Jurassic Park, Men In Black, e Armageddon na lista de experiências cinematográficas essenciais e inesquecíveis.

E é por isso que eu me sinto moralmente obrigado a fazer uma recomendação: Se você ainda não assistiu Inception, pare de ler este review imediatamente e corra para o cinema. Sério. Nem precisa se dar ao trabalho de ler o texto para saber se o filme é bom. Aqui vai um adiantamento: O score lá embaixo vai ser “POPoints – 90%”. Satisfeito?

Ok, você vai continuar lendo, não é? Último aviso: Chegar no cinema como Tabula Rasa, completamente perdido e aberto às informações torna a experiência ainda melhor. Mas, se você não quiser me ouvir, aqui vai a sinopse:

Leonardo DiCaprio, no melhor momento de sua carreira, se redime completamente de ter vivido Jack em Titanic, e personifica Cobb, um homem que ganha a vida invadindo sonhos e roubando valiosas informações, mas que encontra-se impedido de estar com seus filhos devido a erros cometidos em seu passado.

Mas a oportunidade de se redimir surge na figura do abastado executivo Saito, (Ken Watanabe) que oferece a Cobb a chance de reecontrar os filhos caso consiga cumprir uma missão: Ao invés de roubar informações, agora ele deve realizar uma inserção de ideia no subconsciente de Robert Fischer, (Cillian Murphy) herdeiro de uma grande corporação rival.

Para tanto, Cobb conta com a ajuda de seu velho parceiro Arthur, (Joseph Gordon-Levitt) do forjador de imagens Eames, (Tom Hardy) do químico Yusuf, (Dileep Rao) e da novata arquiteta Ariadne (Ellen Page),  que fica com a missão de elaborar o design dos cenários nos sonhos e, mais importante, de fazer o papel da audiência no filme, pois vamos aprendendo junto com ela o funcionamento do mundo de Inception. E, acredite, há muito a se aprender.

Tanto que algumas pessoas chegaram a considerar Inception confuso. N verdade, ele é até bastante didático. Uma boa parcela da primeira metade do filme é gasta com o universo sendo explicado detalhadamente para Ariadne por meio de diálogos e exemplos práticos, então basta prestar o mínimo de atenção para não ficar perdido (Sim, eu estou falando com você, Xexeo.) e entender como funcionam os níveis de sono e como eles interagem com a realidade e entre si.

Comentário pueril e honesto: O quão legal é você ter Tom e Juno em cena juntos? Muito legal, se você quer saber.

Completam o elenco Marion Cotillard, que vive a sexy e enigmática Mal, o amor de Cobb, e como é de praxe nos filmes de Christopher Nolan, Michael Caine. Por que a parceria com Caine é tão recorrente quanto a de Johnny Depp e Tim Burton é algo que eu não entendo mas, ao contrário desta última, aprecio.

E já que estamos falando em apreciar, vamos aos elogios. Visualmente, Inception é tão impressionante quanto é possível ser. Pra não estragar surpresas, fica apenas o registro de que tudo que aparece no trailer (Ou seja, a física alterada que fornece lutas em gravidade zero, ruas que se erguem e mudam de forma, objetos que implodem, etc.) é ainda mais embasbacante na telona. Desde The Matrix não se via algo tão capaz de derrubar queixos.

Sim, eu sei que muitos estão comparando Inception a The Matrix, e gostaria muito de não ter que bater nesta mesma tecla, mas permitam-me fazer isso apenas uma vez para dizer que a sequência em que Arthur luta em um corredor que roda devido ao deslocamento gravitacional que ocorre num nível superior de sono é a experiência cinematográfica mais embasbacante desde que Neo desviou das balas no telhado do primeiro The Matrix.

Bom, é melhor ser comparado a The Matrix do que a Avatar, certo? Aliás, aqui vai um paradoxo da humanidade: As pessoas se impressionarem mais com o visual de Avatar do que com o de Inception. Como, meu Deus, como?!?! (E, de brinde, mais um comentário honesto, mas nem um pouco pueril: James Cameron, VAI SE FUDER, SEU FILHO DA PUTA!)

Ainda no ramo da ação, também é digno de nota o arco da invasão à fortaleza na neve, que não faria feio se inserido em algum 007 dos anos 80. Há tiroteios intensos, persguições frenéticas de esqui… Ou seja, mesmo que você seja um completo imbecil, como Artur Xexeo, já encontra aqui motivos mais que suficientes para se divertir demais com o filme.

Graças à excelente direção de Christopher Nolan, que parece melhorar a cada filme, (E que, agora, já merece ter pelo menos uma estatueta do Oscar em casa) às ágeis montagem e edição, (Opa, mais dois Oscars possíveis!) os 148 minutos de duração passam voando e você termina a experiência se sentindo como se tivesse ficado apenas 1:30 horas no cinema.

E como elogiar nunca é demais, a trilha sonora de Hans Zimmer é magistral, possivelmente seu melhor trabalho até hoje. (O que é um mérito absurdo se levarmos em conta que seu currículo inclui as trilhas de filmes como Batman – Dark Knight, Gladiator, e Lion King) Seu clima soturno, denso, e misterioso chega a evocar Blade Runner ocasionalmente. Se Michael Giacchino e John Williams não surgirem com algo sensacional nos meses que restam, já temos mais um Oscar garantido para Inception.

Mas sabe qual é a melhor coisa de Inception? O roteiro, há 10 anos trabalhado por Nolan, é incrivelmente bem escrito e amarrado, mas ao mesmo tempo deixa pontas o suficiente para que possamos continuar a debater e apreciar o filme por anos a fio. (Tudo bem, ele é um pouco mais confuso do que deveria ser, mas nada que uma segunda ou terceira viagem pelo filme não consiga resolver.)

O elogio máximo: Desde Lost eu não ficava tão impressionado com uma obra de ficção. Aliás, fãs de Lost, prestem especial atenção na cena do aeroporto, e vejam se o reconhecem de algum lugar. Melhor ainda, vejam se a cena não parece inspirada em seu seriado favorito.

Moral da história: Vá ao cinema. Compre o DVD original quando ele for lançado. Assista e recomende aos seus amigos, para que o excelente trabalho de Christopher Nolan receba o reconhecimento que merece e, mais importante, para que o mundo abrace a ideia de que Blockbusters não precisam ser desprovidos de cérebro para gerar dinheiro. Ou então se contente em continuar recebendo novos Avatar, cujo único lampejo de profundidade é proporcionado pelos óculos 3D. A escolha é sua.

POPoints: 90%

- Thomas Schulze





Hori – Hori (2009)

25 07 2010

Fiuk é filho do Fabio Junior. O Felipe Neto. (Aliás, não Fiuk, esse lenço/cachecol/porra qualquer aí no teu pescoço não te torna legal, desculpa aí.)

Verdade Absoluta sempre foi um site honesto com seus leitores, e não é hoje que isso vai mudar. Então permita-me abrir o jogo de uma vez: não fosse o recente episódio entre Fiuk e Felipe Neto, dificilmente você veria um review do CD da banda Hori por aqui. Mas o site vive de polêmicas e escândalos, então nada mais natural que pegar o assunto do momento em busca de visitas.

Mas não me entendam errado, eu não adquiri o CD com o intuito de massacrá-lo. Não, não. Se acabasse esbarrando com o OK Computer nacional, o elogiaria com o maior prazer. Mas também não nasci ontem, e já desconfiava que estava levando para casa uma obra completamente descartável que seria esquecida logo depois da primeira audição. Então aqui estou eu, prestes a massacrar um dos piores discos que ouvi na vida.

Mas antes de analisar o CD, uma breve aula de história: Hori é uma banda paulista formada por blá, (guitarra e vocal) bláblá, (guitarra de apoio) blábláblá, (bláteria)  bláblábláblá, (bláixo) e Fiuk, (Vocal e estrela teen) e ninguém dava a mínima para eles até o vocalista entrar para a novelinha adolescente Malhação ID.

O primeiro CD da banda Hori foi criativamente batizado de… “Hori”. Tamanho fascínio pela palavra me fez pesquisar seu significado. Aparentemente, Hori quer dizer “aquele que cultiva o solo” na Nova Zelândia, “habitantes das cavernas” em hebraico, ou “nome aleatório e ruim que adolescentes escolheram ao acaso” em português.

Eu realmente preciso jogar uma legenda engraçada aqui ou a foto se sustenta sozinha como piada? (Sim, foi uma pergunta retórica)

O trabalho é aberto com o pseudo-hit “Segredo”, que você provavelmente já teve a infelicidade de encontrar na televisão ou rádio. Basicamente, trata-se de uma faixa pop previsível e descartável. Fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“Quando você voltar” também fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota. “A paz” repete tudo que foi tocado nas faixas anteriores. Ameaça falar sobre o futuro da humanidade, mas adivinha só? Fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“Ela” é mais uma melodia pop óbvia, e eu não vou mentir pra vocês, pulei a faixa depois de 1 minuto de mesmisse. Se eu tiver perdido alguma coisa diferente de um cara apaixonado correndo atrás de uma garota, favor avisar nos comentários.

“23 de novembro”, por sua vez, consegue ter o nome mais aleatório do CD, uma vez que não há qualquer menção à data na letra. Há, sim, uma música que fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“O que eu sonhava” é um pesadelo musical, e a coisa mais desinteressante que já aconteceu no mundo desde que um pombo voou sobre o Ministério do Trabalho e depois pousou em frente ao Fórum, onde comeu algumas migalhas até se sentir satisfeito, voando posteriormente para o topo do Cartório Regional, onde dormiu. Pelo menos a música fala sobre um cara que quer que a garota corra pra longe, na primeira variável da fórmula de composição da banda.

Então temos “Verdade”, absoluta perda de tempo. Só vale a pena destacar que a letra conta com a linda frase “Pra que tanta hipocrisia? Desigualdade é uma mentira”.

Uau, belo exemplo de consciência social, Fiuk.

“Medo, sonhos e coragem” é, francamente, uma merda.

“Foi melhor” fala sobre como era minha vida antes de ouvir o CD. “Talvez” é apenas mais uma faixa vazia, retardada e óbvia. Aliás, reparem como minha paciência pra analisar e avaliar faixas iguais entre si já está por um Fiuk. Este review é um verdadeiro desafio, pois eu estou tendo que encontrar modos diferentes de avaliar a mesma música de novo e de novo.

“Felicidade, paz e harmonia” mostra que a banda já perdeu o Fiuk da meada há muito tempo, e deveria fechar o cd. Mas não fecha, e quando eu pensava em respirar aliviado, descubro que o disco ainda carrega consigo duas faixas-bônus: “Quem eu sou” e “Só você”. Por instantes eu desejei encontrar um hilário cover de Latino na segunda. Pueril, eu sei. Encontrei apenas um cover de segunda do Fábio Jr, fechando o disco da forma mais óbvia possível.

Encerrada a audição, acho que finalmente descobri o verdadeiro significado da palavra Hori:  “Horivel” ou “Horipilante”. É uma banda tão ruim quanto esse trocadilho. Pense nisso.

POPoints: 08%

- Thomas Schulze





Eclipse (2010)

3 07 2010

Suspensão de descrença: Robert Pattinson tem 17 anos.

É difícil compreender o que se passa na mente de Stephenie Meyer. Claro, ser uma gorducha rejeitada, patética e praticamente analfabeta provavelmente contribuiu para ela escrever a vingança literária contra o mundo que é a saga Crepúsculo, mas é difícil de acreditar que após 3 filmes (e três livros, que abordam os elementos da história com muito mais detalhes) Edward “Bob Pattinson” Cullen não tenha fincado absolutamente nada em Bella. É simplesmente impressionante.

Eclipse é, para todos os efeitos, um filme melhor que Prepúsculo e Lua Nova. O filme traz mais ação, menos romance imbecil e tenta forjar melhores diálogos. Mas o que mais irrita é a insistência em manter a mesma estrutura de sexualidade reprimida dos outros dois.

Os personagens principais estão de volta. Jacob, interpretado pelo abdômen de Taylor Lautner, não acrescenta nada de relevante à trama. Ele força Bella a admitir que sente alguma coisa por ele e ganha absolutamente nada com isso. Bella, por sua vez, muda. Se a garota não é um personagem sensacional, pelo menos abandonou a personalidade de pêra e o hábito de deitar em posição fetal, ambos explorados nos primeiros filmes. Já Pattinson resolveu mudar seu estilo de atuação. Sai o Edward completamente desprovido de qualidades dos dois filmes anteriores, com sua eterna cara de cachorro sem dono e entra… hahaha, te peguei. Ele continua o mesmo imbecil brilhante (literalmente) de antes.

Salsi Fufu, ié ié!! Bilu bilu tetéia!

Pra ser sincero, Edward conseguiu piorar. Todas as qualidades que as pessoas atribuíam a ele (e nunca eram exibidas pelo personagem) continuam sem dar as caras, mas o “vampiro” aqui tem a moral de ser possessivo ao extremo, tratando Bella como um saco de esterco. Ainda assim, Patty-Boy ainda arranca suspiros das menininhas no cinema, o que com certeza é um dos sinais indicando o apocalipse. O fato de Edward ser considerado um cavaleiro em armadura brilhante do século XXI mostra que Meyer conseguiu mandar um gigantesco foda-se para a sociedade.

Para alegria de absolutamente ninguém na face da Terra, os Volturi estão de volta no filme. E a participação deles é tão relevante quanto este parágrafo.

Fuck you, Dakota Fanning. Fuck. You.

“Mas caro Gerhard, seu ousado ourives da crítica, cadê a trama? Você não viu esta pepita e está falando sobre ela?”. Bem, vamos à trama. Victoria, uma personagem perdida do primeiro filme, quer matar Bella usando um exército. Wow. A princípio você pensa: “Overkill”, até constatar, perplexo, que o exército tem cerca de 12 integrantes. E aí você se surpreende por ter se surpreendido: desde sempre a série Prepúsculo tem uma abordagem muito liberal sobre os termos usados em sua mitologia, sendo o principal deles o termo “vampiro”, que passou de badass womanizer da noite para chorão purpurinado e sem testículos.

Nosferatu flagrado por um papparazzi no exato momento que viu o mito do vampiro ir por água abaixo.

Existe uma cena particularmente constrangedora em Eclipse. Bella, querendo liberar o playground pro Edward, explicitamente querendo o coito, e o vampiro maravilha negando. Eu não quero deixar implícito que ele é uma bicha impotente, por isso, vou explicitar: Edward Cullen é uma bicha impotente. Não é possível que eu tenha acabado de ver a cena que eu vi, dentro e fora das telas. Enquanto Pattinson, do alto de sua performance marcante pela miríade de matizes, negava fogo, justificando tudo com alguma babaquice envolvendo matrimônio, o cinema foi invadido por suspiros. Enquanto Crepúsculo atacou o cinema enquanto arte, Eclipse coroa a série como uma afronta à humanidade.

O problema é que se passaram três filmes. E nada. A tensão sexual em Eclipse é o suficiente para construir uma bomba (de tensão sexual, aparentemente, eu me perdi na analogia), mas Meyer se recusa a liberar alguma válvula. Em vez disso, temos Jacob sem camisa durante o filme todo, em uma objetificação vazia, barata e imbecil do homem, além da manutenção da sexualidade na estaca zero. O que eu quero dizer é: Bella precisa tirar a camisa.

"Essa imagem não tem relação com a frase anterior." - Departamento de imagens e mentiras do VA

Mas por imbecil que o filme seja, ele consegue ser mesmo o melhor da franquia. A ação tem qualidade, surpreendentemente, e o filme tenta ser engraçado ocasionalmente. Ele falha miseravelmente durante grande parte do tempo, mas a tentativa é nobre. Outro ponto fundamental é Charlie, pai de Bella, que mantém seu papel cativo como O cara desde Lua Nova. O bigodudo dispara as melhores falas do filme e é entretenimento puro em cada minuto que aparece na tela.

"Não, Gerhard, você que é O cara" - Charlie, após ser contactado pelo VA, no nosso escritório em Spoon, cidade vizinha de Forks.

Eclipse melhora sim alguns problemas da franquia, mas ainda é retardado. No fim das contas, mesmo com mais ação, mais pressão e mais tensão, Eclipse falha em botar pra fuder. Literalmente.

45% POPoints

- Gerhard Seibert

Thom diz:
jogar essa bagagem fora seria um desperdício
livros lidos só servem pra impressionar mulher, nada mais
Gerhard Brêda – Laboratorista pop diz:
A pior coisa possível seria odiar quem gosta, tecnocamente
tecnicamente*
Thom diz:
Ah, ok, depois disso. hahahahha




White Lies – To Lose My Life (2009)

19 06 2010

Não, a capa do CD não quer dizer nada pra mim também.

Ah, Inglaterra… Existe país que tenha dado à luz mais bandas de qualidade? A White Lies, oriunda de Ealing, West London, como boa súdita da rainha que é, cumpre bem sua missão de transmitir música de qualidade para o resto do mundo.

Aliás, não é preciso ser um grande estudioso da música para, em menos de um minuto de audição de To Lose My Life, CD de estreia do White Lies, perceber qual é a maior influência sonora da banda formada por Harry McVeigh, (Vocal e guitarra) Charles Cave, (Baixo) Jack Lawrence-Brown, (Bateria) e Tommy Bowen. (Teclado) A sonoridade sombria do White Lies, especialmente o vocal de Harry, remete diretamente à lendária Joy Division.

O CD abre com a sensacional Death, que logo de cara confere ao disco um ar bem dark. Na sequência, a não menos genial To Lose My Life, faixa que dá nome ao álbum, mantém a qualidade e cativa o ouvinte com sua pegada dançante, sendo uma ótima pedida para embalar qualquer festa.

A Place to Hide, mesmo sendo bastante agradável, dá uma quebrada no início avassalador do álbum. Fifty on Our Foreheads e Unfinished Business, extremamente climáticas e com um certo ar de Echo and the Bunnymen, retomam o gás inicial.

Há quanto tempo vocês não viam uma simpática e pueril recomendação musical aqui no Verdade Absoluta, né? Sabem o porquê disso? Porque vocês só visitam os posts sobre Lady Gaga! Pronto, falei. Mas tudo bem, amo vocês mesmo assim. Agora ouçam White Lies, beleza?

E.S.T. e From the Stars, infelizmente, constituem e elo mais fraco do cd, sendo faixas extremamente descartáveis que estão lá apenas para cumprir tabela. Mas tudo bem, porque logo em seguida temos Farewell to the Fairground, faixa brilhante que já nasceu pronta para ser cantada em grandes festivais. O ponto alto do CD, certamente. Se você precisa experimentar alguma música para se convencer da qualidade da banda, que seja esta.

Nothing to Give e The Price of Love fecham o trabalho de modo digno, comprovando que canções com climão dark de anos 70 são mesmo o ponto forte da banda.

O White Lies pode não inovar em absolutamente nada no mundo da música, mas a qualidade de suas composições é inegável. E em uma Inglaterra que ficou precocemente órfã de Joy Division, qualquer banda que ouse tentar continuar seu legado já merece atenção e respeito.

POPoints: 82%

- Thomas Schulze





Lost – Season 6 (2010)

27 05 2010

Em setembro de 2004 teve início uma jornada que mudaria para sempre a televisão mundial. O seriado Lost não apenas estabeleceu um novo padrao de qualidade com seu alto valor de produção, como também mudou o modo como a televisão passou a ser consumida pelo mundo, popularizando a cultura do download de episódios e elaboração de legendas de altíssima qualidade pelos fãs poucas horas depois da exibição do episódio no canal ABC.

Não faltaram debates e polêmicas sobre a legalidade ou não deste novo modo de obter episódios de séries, mas são inegáveis os benefícios que Lost trouxe para a televisão, principalmente aqui no Brasil. Preocupados com a perda da audiência daqueles que baixam os episódios por torrent via internet, a janela entre a exibição norte-americana e a nacional foi consideravelmente encurtada. Se antes de Lost tínhamos que esperar cerca de um ano para assistir nossos seriados favoritos, depois de Lost a espera caiu para uma ou duas semanas. Ou seja, nunca estivemos tão integrados com nossos amigos dos Estados Unidos.

Além disso, Lost, com sua caixa de DVD robusta, repleta de extras, também serviu para popularizar a venda de seriados neste formato, o que atraiu a atenção das emissoras, que não demoraram para começar a comercializar muito mais boxes de seriados, atuais ou clássicos, obtendo um ótimo retorno com esse novo mercado que nascia.

A moral da história, e o motivo pelo qual eu passo este rápido levantamento histórico, é frisar que, por pior que fosse a sexta temporada de Lost, o legado do seriado não poderia ser esquecido jamais, e todos deveriam ser eternamente gratos ao que Lost fez pela cultura pop. Mesmo que você tenha odiado os rumos da série, e ache Mad Men e Fringe as séries mais geniais no ar, pense duas vezes antes de falar de Lost, pois se não fosse por ele você muito provavelmente não poderia contar com torrents e legendas de alta qualidade para seu seriado favorito.

Isso não quer dizer, é claro, que deve ser feita vista grossa para os eventuais defeitos da trama. Quer dizer apenas que vociferar asneiras como “Tá vi o final de Lost. Seis anos pra uma ROLHA climática. Surra de vara no Lindelof e Cuse.”, como fez em seu twitter o crítico @erico_borgo, do respeitado portal Omelete, é pedir para ser chamado de completo imbecil.

Dito isto, aqui vai um spoiler da nota que você encontrará lá no final do review: A sexta temporada de Lost é impecável, uma nova definição para a palavra excelência, e o único modo de você ficar insatisfeito com o desenrolar da trama é ser um analfabeto funcional que nunca compreendeu o que a série pretendia lhe passar.

Como vocês devem se lembrar, a quinta temporada é encerrada com um dos cliffhangers mais cruéis da história da televisão, com os losties detonando uma bomba de hidrogênio que os impediria de cair na ilha e mudaria seu destino. Ou pelo menos era o que eles pensavam. Estavam abertas duas possibilidades: Ou a bomba funcionava e o vôo 815 da Oceanic aterrissava com segurança no aeroporto LAX, ou a detonação da bomba representaria o próprio incidente que os losties tentavam evitar, e a história toda se repetiria.

Como logo na primeira cena da temporada vemos Jack e companhia chegando com segurança no aeroporto enquanto a ilha jazia, surpreendentemente, no fundo do mar, somos levados a crer que o plano de detonar a bomba deu certo. Mas como Lost não cansa de nos fazer de bobos, logo na cena seguinte vemos os mesmos personagens andando atordoados pela ilha, deslocados no tempo, perdidos e sem rumo novamente. Estavam assim construídas duas realidades distintas, porém intimamente relacionadas, como viríamos a constatar no final da temporada.

Os flash-sideways, nome dado às cenas situadas na realidade paralela em que o vôo nunca caiu na ilha, foram um recurso narrativo polêmico e que, a primeira vista, parecia que não daria muito certo. Era difícil se importar com um universo que destruía tudo que assistimos ao longo de cinco anos e, o que é pior, um universo que não parecia estar levando a história pra frente. A cada episódio éramos obrigados a ver os losties se conhecendo e cruzando seus caminhos mais uma vez, em situações que pareciam (apenas pareciam!) irreais e forçadas, como a carona de Kate a Claire no segundo episódio, What Kate Does, para citar o exemplo mais óbvio.

Por outro lado, as aventuras na nossa velha e querida ilha não poderiam estar mais eletrizantes. Os sobreviventes logo se vêem obrigados a investigar o templo, (E como foi bom conhecer por dentro um dos locais mais misteriosos da mitologia de Lost!) onde encontram Dogen, um oriental sábio e badass, que domina as artes marciais e se compromete a proteger os losties do “vilão” Flocke. (Ou MIB, ou Esaú, ou Monstro de Fumaça, enfim, qualquer nome que você tenha dado para o homem de preto que conversa com Jacob no final da quinta temporada.)

Vilão entre aspas mesmo, porque se tem uma coisa que Lost teve sucesso em fazer desde seu primeiro episódio foi passar longe do maniqueísmo barato. Seus personagens nunca foram separados entre bonzinhos e malvados. Eram todos pessoas complexas e bem construídas que sempre tiveram boas motivações para fazer o que faziam. E é claro que com Flocke não seria diferente. Mas isso é um assunto que trataremos mais pra frente, ao analisarmos o polêmico episódio “Across The Sea”.

Por ora, fica o registro de que o miolo da temporada desenvolve de modo incrivelmente empolgante o conflito entre Flocke e os losties, que descobrem ser candidatos eleitos por Jacob para tomarem seu papel na ilha, e por isso devem ser mortos para que Flocke possa realizar seu grande sonho, que é sair da ilha. A tensão é constante, muitas vidas são perdidas, e freqüentemente ficamos na ponta da cadeira enquanto a fumaça negra recruta seu exército e extermina quem fica no caminho de seu sonho.

Enquanto isso, no universo paralelo, os flash-sideways vão ganhando rumo e complexidade com o passar dos episódios. “Dr. Linus” é simplesmente brilhante em suas analogias. Se no nosso universo Ben é um manipulador ardiloso, nos flash-sideways é um dócil professor que só pensa no bem estar de seus alunos. Ministra aulas sobre Napoleão e diz que o mais doloroso para o imperador não foi terminar sua vida preso numa ilha, mas sim a perda de seu poder, expressando exatamente a situação em que se encontra o Ben de nosso universo. Essa é uma daquelas pontes geniais que só Lost sabe fazer, e felizmente o universo paralelo forneceu muitas delas no decorrer da temporada.

De Dr. Linus pra frente os flash-sideways vão ganhando mais e mais relevância, e começamos a perceber um propósito se aproximando no horizonte. Especialmente porque questões e personagens que pareciam abandonados e esquecidos vão finalmente encontrando resoluções muito satisfatórias. “Everybody Loves Hugo” e “Happily Ever After”, centrado num sumido Desmond, são dois exemplos de episódios magistrais, que conseguem desenvolver seus personagens centrais de modo excepcional, revertendo finalmente o quadro e tornando os flash-sideways tão ou mais importantes que o universo principal.

Ainda assim, provavelmente o melhor episódio do meio de temporada é Ab Aeterno, centrado no enigmático Richard Alpert. Tal qual The Constant, na quarta temporada, trata-se de um episódio com começo, meio e fim, cuja narrativa se sustenta sozinha. Neste belíssimo episódio com ares hollywoodianos, tamanho o valor da produção, ficamos sabendo como Richard chegou na ilha, quais suas motivações, como ele parou de envelhecer, qual seu relacionamento com Jacob, enfim, tudo que você sempre quis saber sobre o personagem. De brinde, recebemos várias informações sobre a milenar disputa entre Jacob e o homem de preto, o que deixou todos os espectadores muito satisfeitos na ocasião.

Ora, se o episódio em forma de flashback que conta as origens de Richard foi tão bom e agradou tanto os fas, deve-se imaginar que um centrado em Jacob e seu rival seja ainda melhor e agrade ainda mais, certo? Bom, sim e não.

Antes de mais nada, Across The Sea, o tal episódio centrado em Jacob e seu rival, não é nada menos que épico e brilhante em sua execução. Sendo assim, descobrir que grande parte da crítica e do público ficou extremamente insatisfeita com o rumo da série a partir daqui é algo que me deixa consternado até hoje.

A primeira reclamação infundada surge logo no inicio do episódio, quando vemos o nascimento de Jacob e seu irmão/rival sem nome. Muitos se sentiram enganados pela ausência de nome, e não conseguiram aceitar que as coisas simplesmente são assim. Também não conseguiram perceber que a ausência de nome fazia o personagem funcionar perfeitamente como uma metáfora. Como disse Jacob, “há muitos nomes para ele”, então cabe ao espectador encontrar o que julga mais adequado para sua percepção do personagem.

Outra reclamação equivocada e constante recaiu sobre as costas da personagem conhecida como “mãe”, a mulher que tomou conta dos dois irmãos desde pequenos. Choveram reclamações acerca de sua origem misteriosa. Ora, toda historia começa de um certo ponto, certo? É difícil aceitar que a história dos personagens que nos interessam se inicia com Jacob e seu irmão, e tudo que veio antes deles é completamente irrelevante para a narrativa? Retroagir eternamente na linha do tempo é buscar o impossível. De onde veio o universo? Do Big Bang. E de onde veio o Big Bang? Do choque de partículas sub-atômicas. E de onde vieram as partículas?

Acho que me fiz entender. Sempre chega um momento em que devemos simplesmente aceitar as coisas e parar de perguntar para não esbarrar numa área que escapa da ciência. Se os antepassados da “mãe” fossem revelados, ainda seria cobradas respostas sobre os antepassados de seus antepassados, e assim por diante. Aceitar que a história se inicia com a “mãe” não é deixar de cobrar respostas, é ter a sensatez de perceber que a história de Lost é somente sobre os sobreviventes da Oceanic, então tudo que precisamos saber é a origem das pessoas que os trouxeram para a ilha, pois é ali que a nossa história tem início. Tudo que vem antes disso é completamente dispensável e fora do foco principal.

Os insatisfeitos que cobram respostas sobre questões inimagináveis seguiram reclamando de praticamente tudo sobre o episódio. A luz, o coração da ilha, um elemento tão bonito e poético, foi tratado como algo simplório e ridículo, jogado às pressas para o final. Os críticos parecem ter esquecido que desde o começo da série foram mostradas as propriedades eletromagnéticas da ilha, e que a própria luz já havia dado o ar de sua graça, pois, como descobrimos, a roda que desloca a ilha no tempo e no espaço faz parte de um sistema que se conecta a essa mesma luz. “Mas como funciona o sistema?”. De novo, se esbarra no questionamento que retroage infinitamente. O que interessa para a história de Lost é que a roda está lá. Ver que o homem de preto foi o responsável por sua elaboração é toda resposta que se deve exigir, e ela foi dada.

Across the Sea segue essa linha de revelações e reclamações injustificadas ao longo de toda sua duração. Quando é revelado que a origem do monstro de fumaça é o corpo do irmão de Jacob sendo jogado na tal luz que é o coração da ilha, muitos ainda se perguntam “mas o que exatamente aconteceu na luz?”. A verdade é que tudo isso é fruto de um erro de percepção: Os que partem da falsa premissa de que Lost é uma série sobre perguntas e respostas, saem frustrados. É compreensível que pessoas, ao encontrarem um enigma, partam do pressuposto de que a resposta para ele será importante. O que não é compreensível é que as pessoas assistam Lost por seis anos e não tenham percebido que o mais importante elemento do seriado nunca foram as respostas para os enigmas, mas sim o desenvolvimento e interação dos personagens afetados por esses enigmas.

Parece até que eu estou defendendo um episódio desprovido de respostas, mas o fato é que Across the sea nos mostra tudo que é preciso saber sobre as relações entre Jacob e seu irmão. É revelado como e por que Jacob assumiu o papel de protetor da ilha, como e onde nasceu a rivalidade entre os dois, por que o monstro de fumaça procura matar Jacob desde então… Em resumo, tudo que é essencial para a construção psicológica dos personagens foi respondido, sem deixar quaisquer pendências. Se antes o homem de preto podia ser encarado como um vilão sem escrúpulos, depois deste episódio pudemos constatar que ele era apenas um homem atormentado pelas mentiras que lhe foram contadas desde seu nascimento. Brilhante construção de personagem.

Embora o final da série e Across the Sea sejam separados pelo ótimo episódio preparatório “What They Died For”, a verdade é que sua percepção sobre o primeiro dita com exatidão o que você achará do fim. Se você, acertadamente, entende que Lost é um seriado sobre pessoas, e seu maior interesse é ver como suas histórias serão fechadas, você está pronto para a jornada final. Se, por outro lado, assiste Lost apenas para obter as respostas para enigmas irrelevantes como “de onde veio a Mãe?” ou “Pra onde foi o tubarão da Dharma?”, então o melhor a fazer seria assistir a série desde o início novamente e tentar captar o real foco do seriado porque, francamente, você não é digno de acompanhar o fim Lost.

Fica a impressão de que eu estou organizando as coisas em preto e branco, separando aqueles que merecem ver o final daqueles que não merecem, como se só existissem dois caminhos possíveis, mas não é bem assim. Existem centenas de modos diferentes de encarar o seriado, até porque o final é aberto a interpretações. Mas a única coisa 100% certa na história da série é que ela é, foi, e sempre será sobre as pessoas. Quem questiona isso está simplesmente negando a realidade. Claro, há estações Dharma e viagens no tempo, mas elas sempre foram meros acessórios na vida e desenvolvimento dos losties, e se você, por alguma razão, conseguiu se importar mais com esses elementos do que com os personagens, sinto informar mas perdeu seu tempo, e a culpa foi única e exclusivamente sua. Lost sempre se vendeu como um drama com contornos de Sci-fi, e não o contrário.

O episódio final, “The End”, não é apenas um grande episódio. É o melhor episódio já desenvolvido para a televisão até hoje. Foi tecnicamente irrepreensível, e emocionante como nada que eu já tenha visto antes.  Quem entende minimamente de Lost já sabia que o final seria comovente, mas acho que ninguém imaginava o quão poderoso e devastador ele poderia ser. Pergunte a qualquer um que assistiu ao episódio se ele terminou a experiência mergulhado em lágrimas e obterá sempre a mesma resposta. Porque Lost, em seu final, não tratou de perguntas supérfluas e irrelevantes. Não, Lost falou de questões existenciais que interessam a todos nós.

Mas antes de mergulhar na história do series finale, eu preciso registrar alguns elogios. Primeiramente ao grande maestro Michael Giacchino, um homem cujas composições chegam a rivalizar em qualidade com as do mestre John Williams. Cada nota do episódio é cuidadosamente planejada com carinho para causar o máximo de emoção possível. Além disso, praticamente todos os temas da série dão as caras no final, causando alegria e nostalgia nos fãs mais atenciosos.

O diretor Jack Bender, o mais tradicional da série, também acerta em cheio e entrega um episódio ágil que é uma verdadeira montanha russa de emoções, pois a ação frenética é sempre intercalada com cenas de amor e redenção, não lhe dando um segundo sequer para respirar ao longo das quase duas horas de duração. Quando você não está consumido pela adrenalina, está consumido pelas lágrimas. Tudo na medida certa. (Leia-se: Tudo em doses cavalares.)

Jack Bender também sabe tirar o máximo de seus atores, e todos eles pareciam dispostos a dar seu melhor no episodio derradeiro. Não há prêmios emmy suficientes no mundo para descrever a performance de Terry O’ Quinn como Locke/Flocke. Sua cara de insanidade deslumbre ao encontrar a luz da ilha, e sua comovente expressão no momento em que entende o papel do universo paralelo são o máximo que um ator pode aspirar alcançar na vida. Também dignas de elogio são as performances de Matthew Fox, o Jack, que teve um material excelente para trabalhar, e nos convenceu e emocionou o tempo inteiro, e Michael Emerson, o Ben, que infelizmente não teve tanto tempo de tela nesta temporada, mas que sempre forneceu atuações do mais alto nível. Citar o nome de todo o elenco consumiria espaço demais, mas fica o registro de que absolutamente todos os envolvidos no projeto deram seu melhor. Até mesmo Evangeline Lilly faz um bom trabalho, de modo que ficou impossível não nutrir simpatia até mesmo pela sempre odiosa Kate.

Também é impossível não me rasgar em elogios a dupla de roteiristas Damon Lindelof e Carlton Cuse, que escreveram a história mais bonita de nossa geração. Repleto de referencias a temporadas passadas, o episódio definitivo de Lost nos lembra constantemente que tudo pelo que passamos serviu para nos conduzir até este momento derradeiro.

Todas as questões importantes da ilha foram resolvidas no decorrer do episódio, todos os conflitos foram solucionados, e tudo foi o mais épico e climático possível. Os reencontros finais entre os personagens comoveram até mesmo os mais insensíveis, e se você não chorar com alguma das redenções e reencontros, pelo menos pode ter a certeza de que vai chorar nos dez minutos finais com a mensagem de apelo universal do seriado.

Com o passar dos anos, nos acostumamos a receber tapas na cara com as reviravoltas dos finais de temporada, mas é seguro afirmar que nenhum foi tão intenso e gratificante quanto a reviravolta final: O universo paralelo, até então encarado como uma bifurcação de caminhos, a estrada não tomada, uma variável de nossa história, era, na realidade, um outro plano de existência, atemporal. Chame de purgatório, de plano superior, chame do que bem entender, o que interessa é que todos os personagens foram para lá após cumprirem seus papéis por aqui, em busca da redenção final. Tudo que assistimos ao longo da temporada e que podia parecer tolo ou sem propósito no início acabou adquirindo uma profundidade inacreditável.

Numa análise fria desse cenário, você pode pensar que todos viveram vidas miseráveis no nosso plano. Quantos personagens não morreram deixando pendências e dores para trás? Veja o caso de Locke, que foi assassinado por Ben e nunca pôde comprovar se era especial ou não, e sequer pôde testemunhar Jack se tornando um homem de fé. Veja Faraday, que viu sua amada Charlotte morrer em seus braços pouco antes de ser morto pela própria mãe. Praticamente todos os personagens nos deixaram com um histórico de sofrimento para trás.

Mas então você encontra os personagens novamente nos flash-sideways e percebe que o que interessa não é a dor nem o que você realiza ou deixa de realizar na vida, mas sim as pessoas com quem a sua jornada foi compartilhada, pois é essa relação que persiste quando todo o resto se vai, e é através delas que os personagens acham sua redenção e conseguem, enfim, se encontrar.

Tudo se encaixa de modo sublime. Jack, sempre tão focado em ajudar os outros em vida, é ajudado por todas as pessoas importantes que passaram por seu caminho a encontrar seu lugar. A simetria é belíssima: Jack começa sua jornada acordando na selva, perdido e sem rumo, e encerra sua aventura deitando, agora realizado, exatamente no mesmo lugar, só que agora com um sorriso no rosto. Sorri porque sabe que fez parte de uma experiência maior que ele mesmo. Encontrou seu propósito afinal, e agora pode descansar com seus amigos.

E depois de derramar tantas lágrimas nós também devemos sorrir. Porque não assistimos apenas um seriado, nós vivemos um evento que será lembrado para sempre. Somos afortunados porque tivemos a honra de olhar nos olhos de Lost, e o que nós vimos foi lindo.

POPoints: 100%

– Thomas Schulze





Transformers: Revenge Of The Fallen (2009)

9 05 2010

Apelativo? Nem, nem...

Explosão. Fiapo de história. Explosão. Fiapo de história mal contada. Explosão. Humor. Explosão gigante. Fiapo de história ainda mais mal contada. Explosão. Você para de se importar com a história. Explosão. Explosão. Explosão.

Se essa sequência lhe ofende, as chances de você odiar o diretor Michael Bay e seu Transformers: Revenge Of  The Fallen são bem grandes. (E, acredite, você não seria o único a abraçar esse ponto de vista.) Mas eu tenho um pouco de compaixão por Michael Bay e sua obra. O diretor é limitado, sabe disso, e portanto abusa das explosões e dos clichês numa tentativa pueril de divertir o público.

Bad Boys e A Rocha são grandes filmes pipoca que comprovam a eficiência da fórmula Bay quando bem executada. O problema é que quando Bay erra, ele erra feio. Resta saber, então, se o novo Transformers se aproxima mais do ótimo Armageddon ou do aborto chamado Pearl Harbor.

A resposta é simples: Fica no meio do caminho. Trata-se de um filme que tem seus momentos, mas que sofre com algumas falhas graves.

Você realmente consegue odiar um diretor que trouxe Armageddon ao mundo? Eu não.

Em Revenge of the Fallen, Shia LaBeouf reprisa seu papel de Sam Witwicky. E Sam, embora eficiente no papel de protagonista-padrão-amigo-dos-robôs, hospeda o primeiro problema do filme: Deixou de vestir a camisa da banda The Strokes.

Pode parecer algo pequeno, mas tal vestimenta era uma das poucas coisas que forneciam carisma ao protagonista. Sem ela, resta apenas um cara sem personalidade, cuja única função é correr pra cá e pra lá fingindo que é útil. Não custava nada escolherem uma nova roupa interessante para o pobre Sam. Sem uma camisa legal, todo o carisma que Sam obtém no novo filme é obtida por tabela de seus pais, que entregam os melhores momentos humorísticos do filme, como na cena em que visitam e constrangem o filho na faculdade. Tal cena é incrivelmente divertida e conta com uma ótima interação entre os personagens. É uma pena que o filme não tenha muitas outras neste estilo.

Voltando aos personagens, temos John Turturro novamente vivendo o ligeiramente inquietante agente Simmons. Um personagem confuso, mas que acaba se adaptando melhor à “história” deste filme que a do anterior. E não é possível deixar de analisar também a personagem Mikaela, interpretada por Megan Fox, certamente a atriz mais hypada deste século.

Pois bem, Megan Fox virou uma paródia de si mesma. No primeiro Transformers, ela chocou o mundo com sua beleza e excelente forma física, de modo que ninguém se preocupava com sua atuação ou com a história de sua personagem. Quando você a reencontra em Revenge of the Fallen, a surpresa já não é mais a mesma, você já está familiarizado com sua aparência, então começa a esperar algo mais. Talvez uma grande atuação e/ou bom desenvolvimento de personagem. No entanto, não recebe nenhum dos dois. Mikaela apenas corre de lá pra cá com sua sempre limpa calça branca (que não suja mesmo rolando na areia egípcia), enquanto Megan a interpreta no piloto automático, tal qual um robô.

E já que estamos falando em robôs, saiba que há novos Transformers em cena, e eles atingem resultados variados: Há um decepticon interessante que pode se transformar em humano, o que se mostra empolgante e gera boas cenas. (Embora o fato de um robô virar humano ao invés de veículo possa ofender os fãs mais puristas) Há também um robô velho chamado Jetfire que precisa de bengala, o que é meio cômico e sem sentido, e um robô minúsculo domesticado por Mikaela, que deveria fornecer alívio cômico, mas não fica tempo suficiente em cena.

The Fallen, o grande vilão, fica apenas na promessa, pois surge como um imperador Palpatine em potencial, mas acaba sumindo do filme aos poucos sem motivo aparente. Temos a inclusão de dois robôs gêmeos pelos Autobots, Skids e Mudflap, que a princípio parecem carismáticos, mas depois se mostram levemente inconvenientes.

Há ainda uma infinidade de outros robôs em cena, mas, acredite, a esmagadora maioria não exerce qualquer ação relevante, e está lá apenas pra aumentar a contagem de corpos e explosões.

Isso remete ao maior problema do primeiro filme, que eram as sequências de ação, nas quais era virtualmente impossível visualizar qual robô estava em cena, e em quem ele estava batendo. Em Revenge of the Fallen, isso é atenuado, mas não muito.

Se você consegue identificar esse Transformer em menos de 42 segundos, eu te odeio.

Algumas cenas são realmente empolgantes, como quando Optimus Prime enfrenta uma série de Decepticons na floresta. É fácil entender o que está acontecendo, então a experiência é gratificante. Já a batalha final no Egito é extremamente caótica, e em algumas ocasiões é impossível saber onde exatamente está seu robô favorito. (Mas, de novo, não chega perto do caos que era a sequência final do filme anterior.)

Se a ação melhorou, existe um novo pecado, quase imperdoável: A duração absurda do filme (Bem mais que duas horas). Ora, se você não tem uma história para contar, não engane a audiência. Vá direto ao ponto e soque tudo em uma hora e meia, como ocorre nos bons filmes de ação.

O público alvo deste filme é bem definido: Se você é o tipo de pessoa cujo ideal de diversão é passar mais de duas horas vendo tanques, jatos e soldados atirando, destruindo e sendo destruídos por robôs, com as cenas de ação sendo intercaladas somente por um pouco de humor e belas silhuetas femininas, este é o seu filme. Agora, se você procura um filme com conteúdo, passe longe.

POPoints: 63%

- Thomas Schulze





The Expendables (2010)

25 04 2010

POPoints: 1000%

- Gerhard Seibert, Thomas Schulze








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