Dear John (2006)

8 09 2010

A orelha de “Querido John” descreve o escritor Nicholas Sparks como “o autor do New York Times com mais de 13 títulos publicados e o único autor contemporâneo a emplacar, por mais de um ano, um romance na lista dos mais vendidos.” Uma descrição mais honesta diria “Nicholas Sparks é uma moça”. Uma descrição ainda mais honesta diria “Nicholas Sparks é uma moça com severo retardo mental”.

Nicholas Sparks, em foto recente.

A sinopse oficial revela que o livro trata de um amor fortemente influenciado pelo 11 de Setembro. O protagonista, John Tyree, é um militar que deve escolher entre a pátria e o amor de Savannah (Ou Savana. A edição nacional parece indecisa, já que a donzela muda de nome meia dúzia de vezes ao longo da obra.) Lynn Curtis. Interessante, não? Você provavelmente espera uma história cheia de mortes e dilemas morais. Com um pouco de sorte, talvez até uma história de soldado atormentado, que retorna incapaz de amar. Algo na linha dos filmes “Guerra ao Terror” ou “Entre Irmãos”. Mas o que você recebe na realidade? Uma edição da revista capricho com 280 páginas.

Mas nem tudo é feminilidade. Por exemplo, por um capítulo inteiro você vai ler sobre moedas. Pois é. Moedas. Fascinante, não? Em defesa de Sparks, o próprio autor reconhece que o tema é tão interessante quanto segurar um pêssego por 5 horas e meia no centro de Bangu. Pena que isso não o faz parar de falar no assunto. O objetivo, que fique claro, é fazer o leitor sentir simpatia pelo pai doente de John, que vive uma rotina entediante por portar a doença de Asperger. Bom, só porque sua rotina é miserável, não significa que minha leitura precisa ser também.

Mas obviamente não é o arco das moedas que transforma Nicholas Sparks numa moça. É a história de amor entre John e Savannah. Por intermináveis páginas os dois flertam e nada acontece. São encontros seguidos de encontros e nada acontece. Então o que John, como bom soldado, sujeito durão, faz? Rouba um beijo? Manda uma one liner e leva a garota pra cama, estilo James Bond? Não, diz “eu te amo”. Sei que é difícil ler isso e acreditar em mim, então aqui vai uma transcrição do momento:

“‘Você não tem ideia do quanto os últimos dias significaram pra mim’, comecei. ‘Conhecer você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo.’ Hesitei, sabendo que, se parasse agora, nunca seria capaz de dizer a ninguém. ‘Eu amo você’, sussurrei.”.

Os leitores fãs do seriado How I Met Your Mother devem conhecer esse movimento como “o Mosby”, (E os leitores que não são fãs do seriado deviam tomar vergonha na cara e assisti-lo agora mesmo.) e sabem muito bem como uma mulher normal reage ao ouvir isso. Então força, Savannah, defenda a honra das mulheres!

“…ela interrompeu. ‘Você não entende. Não estou com medo por causa do que você disse. Fiquei assustada porque também quero dizer. Eu amo você, John.'”

Apenas porque o post precisava de um pouco de testosterona depois dessa.

Então o namoro começa. E tudo é lindo e maravilhoso. O casal não se desgruda, abre mão de sua individualidade, e vira o típico modelo de relação que todo mundo deveria odiar. Andam juntos de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo. E de novo.

É, eu sei, só quis enfatizar quanto tempo eles ficam colados. Por que? Porque não há sexo! Meu deus, Nicholas Sparks é uma moça! Como um homem, pior, um soldado, que passa meses no deserto sem uma mulher, pode passar tanto tempo com sua namorada e não fazer nada? E desde quando não fazer nada virou um modelo de cavalheirismo a ser seguido? (Ah é, desde Crepúsculo. Obrigado por nada, Stephenie Meyer!)

Eventualmente o sexo acaba rolando, é verdade, mas nesse ponto já é tarde demais e o estrogênio já deve ter dominado todo o organismo do leitor. Mas espere, há uma esperança. Vejam, é o ataque terrorista do 11 de Setembro! FUCK YEAH, teremos uma guerra! John precisa então escolher entre defender os Estados Unidos contra os terroristas ou ficar com Savannah. E escolhe a guerra! Manda ver, John!

Mundo pós 11 de setembro.

Mundo pós 11 de setembro segundo Nicholas Sparks.

O que acontece é que John fica sentado no deserto por anos, sem matar ninguém, apenas como um artifício de roteiro para ver seu relacionamento com Savannah abalado. Aliás, acho que este é o momento oportuno para revelar que Savannah é uma moça. Ok, nada errado com isso, na verdade. Ocorre que ela também é uma moça com severo retardo mental.

Sabe como hoje em dia é possível conversar via webcam para matar as saudades? Sabe como e-mails chegam imediatamente e são incrivelmente fáceis e convenientes de se abrir em qualquer lugar do mundo? Pois é, Savannah não. Ela só manda cartas! Deus, relacionamentos a distância já são quase impossíveis de dar certo, relacionamentos baseados em cartas então…

Por essas e por outras é absolutamente impossível torcer pelo casal, e descobrir que eles não terminam juntos não causa emoção alguma. ( <- Cuidado, spoiler! Ah, tarde demais? Whoa, que pena, hein?) Quer dizer, causa raiva por ter perdido um valioso tempo lendo um livro tão medíocre.

POPoints: 24%

– Thomas Schulze

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3 responses

20 09 2010
Ricardo

Maldita geração Crepúsculo e seus romances enfadonhos!

24 09 2010
Tauana

Se no filme já tem muito amor, quem dira no livro.
É muito amor :/

5 12 2012
cel

vsc, se vc não gostou do romance o problema é seu, mas não fica falando coisas desnecessárias não,tá?! A sua crítica idiota não irá alterar em nada o gosto dos outros leitores pelos romances de Nicholas Sparks. Afinal, cada pessoa tem seu próprio gosto literário, se o seu não é esse, procura outro então só não fica chamando os outros de retardado mental.

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