NES – Super Mario Bros. 3 (1988)

21 02 2012

Perfeição

 

O ano é 1988. O Famicon é ligado e as cortinas sobem para anunciar que a maior, mais empolgante aventura do Mario até então está para começar. A expectativa não poderia ser maior. Levando o potencial do console até seu limite, Super Mario Bros. 3 chega para elevar os video-games a um novo nível!

 

Chega a ser complicado decidir por onde começar a listar as virtudes do jogo, já que ele transborda qualidade e carisma em todos os cantos, todos os itens, todos os cenários, todas as músicas… A trilha sonora de Koji Kondo é tão inspirada que até hoje você pode encontrar temas de Super Mario Bros 3 pipocando aqui e ali nos jogos da Big N. Os conceitos de mapas e rotas secretas lançados aqui são encontrados em jogos de todas as empresas até os dias de hoje!

 

Mas já que temos que começar de algum lugar, falemos então de uma das mais inspiradas criações do game, os Koopa Kids: Larry, Morton Jr., Iggy, Lemmy, Wendy O., Roy, e Ludwig Von. Se você é um leitor sagaz (ou mais velho. Mas vamos ficar com sagaz.) pode ter percebido que seus nomes foram inspirados em músicos famosos. Cada um dos lagartinhos tem um visual único e é responsável por guardar um cetro e uma nave de guerra do Bowser, e somente ao derrotá-los você pode avançar para o próximo mapa e desbravar um novo mundo em busca da princesa Peach.

 

A verdade é que são tantos modos diferentes de passar pelas fases que dificilmente você passará pelo jogo percorrendo as mesmas rotas duas vezes. Uma marreta pode quebrar uma pedra no mapa geral e te dar acesso a uma fase avançada. Mario pode se camuflar numa nuvem e passar batido por uma fase que lhe cause problemas. Warp Whistles podem levar instantaneamente a mundos avançados. Canos te levam te um canto ao outro do mapa.

 

São oito mundos para explorar, todos enormes e com temáticas únicas. É muito impressionante a quantidade de cenários que os magos da Nintendo conseguiram enfiar em um simples cartuchinho de NES. Desde cenários que acabaram virando clichês do video-game, como o mundo do deserto, o mundo da água, e o mundo do gelo, até ambientes mais exóticos como o mundo em que tudo é gigante, ou o mundo repleto de labirintos de canos, o fato é que as fases e rotas secretas trouxeram um senso de mistério e aventura incomparável. Em um tempo em que a internet e guias de jogo online ainda estavam longe de fazer parte do dia-a-dia dos jogadores, passar a tarde explorando cada canto do Mushroom Kingdom perscrutando cada detalhe em busca de novidades era um prazer enorme.

 

E essa exploração ficava ainda melhor com a verdadeira revolução nos power-ups que o game proporcionou. Claro que hoje é muito legal pegar a Bee Suit em Super Mario Galaxy e voar de uma flor para a outra, mas nada na história da franquia se compara com a sensação de pegar uma Racoon Leaf (Sim, esta mesma que acaba de fazer um retorno triunfal em Super Mario 3D Land!) e sair voando pelas fases. Tanto poder proporcionava uma sensação enorme de liberdade! Nada como olhar Goombas e  Koopas impotentes lá do alto do céu. Também havia a Tanooki Suit, que fornecia poderes similares, mas acrescentava a habilidade de virar uma estátua para enganar os inimigos; a Frog Suit, ideal para fases aquáticas já que melhora as habilidades de nado do Mario; a rara Hammer Brother’s Suit, que permite atirar martelos; e até mesmo o Kuribo’s Shoe, uma simpática bota verde (!) na qual mario pode entrar para pisar em plantas e inimigos com espinho.

 

Com Super Mario Bros. 3, Shigeru Miyamoto e sua equipe estavam dispostos a criar o melhor jogo da geração. Mas acabaram criando um dos melhores de toda a história, um clássico imortal que, com sua jogabilidade e direção perfeitas, sobreviveu ao teste do tempo e permanece até hoje como um dos maiores exemplares de excelência em design de video-game.

POPoints: 100% 

– Thomas Schulze

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Is This indie (2011)

21 02 2012

O melhor CD da última década? Possivelmente.

 

Você, leitor fiel do Verdade Absoluta, sabe muito bem que isto aqui é mais do que um site. Você não chega a 1.444 comentários e 85.000 visitantes sem fazer alguns inimigos. E o Verdade Absoluta pode se gabar de ter os inimigos mais patéticos do mundo.

 

A nossa missão aqui sempre foi glorificar o que está certo, mas principalmente combater o que está errado. E eu não estou falando dos hate comments de pessoas idiotas e semi-analfabetas que eu e o Gerhard fazíamos questão de responder um por um. Não, quando eu falo de inimigos, eu quero dizer que nós sempre tentamos lutar contra o que está errado no mundo, e proteger os bons valores. Parece piegas, provavelmente é, mas também é verdade: Cada crítica a Prepúsculo, Pitt, Arctic Monkeys, e Lady Gaga, sempre procurou levar a juventude pro bom caminho. Um caminho com mais Stallone e menos Pucca. Mais Oasis e menos Bom Boi Bicycle Club. Mais Ricky Gervais e menos Kibe Loko.

 

E por um tempo nós tiramos as rodinhas do mundo e deixamos vocês andarem sozinhos pra ver como se sairiam. O resultado? Aqui estamos nós, mais de um ano depois do último post, vendo o blog Rock N Beats achar que seria uma boa ideia pegar uma das poucas coisas irrepreensiveis dos anos 2000, o cd Is This It, dos Strokes, e tornar o disco uma merda. No blog eles provavelmente diriam que apenas reimaginaram todas as músicas com uma pegada folk. Mas eu prefiro simplificar e dizer “tornaram o disco uma merda”, porque é mais honesto e passa a mesma mensagem.

 

Quem lê meus reviews musicais sabe que eu costumo avaliar os cds faixa a faixa, até mesmo pra provar que ouvi tudo. Mas hoje não. Hoje não… Hoje siiim? Bom, mais ou menos, vocês vão ter que agir de boa fé e confiar que eu joguei meu orgulho no lixo, curti a página do Rola N Beats no Facebook, e ouvi o cd todo quatro vezes pra avaliar tudo com justiça. (Mentira, foram apenas duas ouvidas. Viu onde a boa fé te leva na vida?)

 

Enfim, ao invés de reclamar das faixas uma a uma, eu acho mais válido abrir a análise do disco reclamando do projeto em si. Se vocês perderam o título do post em letras garrafais, o álbum se chama “Is This Indie?”, num jogo de palavras com “Is This It”. Pescaram? E meu maior problema com o projeto já vem daí. Tá tudo errado já na merda da capa ostentando essa porra de título. “Is this INDIE?” No, it isn’t. Um nome mais correto seria “Is this shit?”

 

A pior coisa que já aconteceu pra humanidade? Possivelmente.

 

 

Porque sabem o que era Strokes no começo da década passada? Pra quem não acompanhou, Strokes era rock. Rock sujo, bom, e honesto. Rock de garagem. Strokes não é e nem deve ser unido a essa porra de folk de merda que nego está querendo enfiar na minha cara neste tributo. Eu acho muito válido fazer releituras de músicas, repaginá-las completamente… Mas, por favor, não faça a mesma coisa em todas as faixas. E, se for fazer isso, não faça com pegada folk.

 

Até porque o que tornou Strokes surrealmente foda na época é que essa banda era muito mais do que indie. Ela se distanciou demais do que a galera hipster curtia, mas sem alienar esse público. Ironicamente, dá pra argumentar que Strokes fazia o que o Coldplay faz hoje e irrita tanta gente metida a antenada: Strokes fez ponte entre o indie e o mainstream: O homem médio ouvia Strokes no carro. Bebia e ouvia Strokes. Comia a namorada ouvindo Strokes.

Hoje temos esses cabacinhos ouvindo Fleet Foxes e se achando descolados, e ainda querem botar Strokes retroativamente no mesmo grupo. Porra, enrola o cabaço no pau e enfia no cu.  Quando Strokes veio ao Rio, no auge da popularidade, eu fui ao show do Cais do Porto com dois lelesks de Niterói. E tinha todo tipo de gente lá. Inclusive hipsters, é verdade, mas muita patricinha, muita gente normal de bobeira, e principalmente roqueiros de jeans sujo e cerveja na mão, celebrando a música. Então quando você lança um cd 2011 revisitando essa época, não vem na minha cara fazer arranjo folk-indie e me falar que Strokes é a nada de gente alternativa, porque não é.

 

Agora que isso saiu do caminho… Se você realmente quiser ouvir este disco, me permita te passar o caminho das pedras. Você deve ouvir a versão do Cicero pra Barely Legal. É facilmente a melhor coisa do disco. Tem uma vibe meio Professor Layton, é genuinamente interessante, vale uma ouvida de boa vontade. O resto das faixas, vou ser honesto com vocês, eu já descurti o Rola N Beats no Facebook e daria algum trabalho googlar agora quem gravou qual versão de tal música, porque eu só anotei os nomes das músicas conforme ia dando notas, então se vira aí se quiser saber quem está tocando.

 

Então, Is this it e modern age são péssimas e folk. Soma tem uns instrumentos de sopro legaizinhos, curti de leve. Someday soa como se Chris Martin tocasse Fix You mas sofresse de autismo. Alone Together é mais daquele folkzinho mais ou menos. Last nite é como se aquela banda bem intencionada mas musicalmente limitada dos seus amigos fizesse um cover numa apresentação de escola. Não é muito folk, então yay! Hard To Explain eu nem me lembro como soa, nem joguei nenhuma obervação do lado no meu txt de review do disco, só uma nota 5, então imagino que é outro folk mais ou menos. New York City Cops é um lixo e uma ofensa a tudo que existe no mundo. Trying Your Luck melhora um pouco o disco, mas foda-se a essa altura. Take It Or Leave It é a mais… Rural do disco. É como se você pegasse Kings of Leon, tirasse o talento, e botasse Britto Junior no lugar. Surpreendentemente, isso soa menos pior que a maioria das outras faixas. When It Started, só pra me quebrar, não é folk. Tem toda uma vibe meio Bjork do 3º mundo. Aí vem “Rosa”, que se eu não perdi alguma coisa, é completamente aleatória com sua letra marota em português. Tivesse sido cantada com a letra original, seria uma versão mais legal que a Last Nite deste álbum. Aí o disco fecha com uma versão maneirissima de Sagganuts. É bem legal mesmo, se você se importar ainda. É, ouve isso e Cícero e ignora o resto do cd, é o melhor que você faz. Ou não ouve porra nenhuma e vai viver. Mas volta aqui em algum momento que a gente vai fazer um podcast. Semana que vem. Ou ano que vem.

POPoints: 05%

– Thomas Schulze





The Social Network (2010)

1 11 2010

A história do Facebook como ela é: O orkut veio primeiro. Todo mundo usava e era feliz. Então brasileiros começaram a monopolizar a rede social, e os americanos ficaram de saco cheio e não souberam o que fazer pra se livrar de nossa má influência. Então migraram em peso para o Facebook, um site notoriamente inferior com que ninguém se importava até então. Aí veio o twitter e agora todos estão felizes. Fim.

A história do Facebook segundo “The Social Network”: Um drama arrastado de duas horas de duração em que as pessoas gastam metade do tempo falando (E, só Deus sabe o porquê, falando numa velocidade ridiculamente rápida) de informática e sobre como computadores são legais, e metade do tempo falando de processos jurídicos e como eles também são LEGAIS. (ahn, ahn?) Ah sim, também tem uma hilária e completamente desnecessária competição de REMO em algum lugar no meio do filme para dar variedade.

Isso é o máximo que você vai ter de empolgação em "The Social Network".

Sabe o que é mais legal em um filme que deveria apenas contar a história da criação de um site? Basicamente David Fincher nos entrega uma obra inteiramente parcial e maniqueísta.

Jesse Eisenberg, o Michael Cera do terceiro mundo, interpreta Mark Zuckerberg, o cabeça do Facebook ou, na visão do filme, o VILÃO. Já Andrew Garfield, do alto de seus 67 anos de idade, interpreta Eduardo Saverin, o melhor amigo de Mark, e único brasileiro completamente honesto da história do país. Então você senta por 2 horas e ouve sobre como Mark é uma péssima pessoa e como o pobre Eduardo foi blindsided. Fascinante.

O pior é que o filme tenta disfarçar a manipulação dos fatos com uma narrativa alicerçada em flashbacks, que teoricamente ilustram os distintos pontos de vista de todos os envolvidos na criação do Facebook. Bela tentativa, exceto pelo fato de que TODAS as visões mostram exatamente a mesma coisa: Mark como um monstro anti-social, interesseiro, manipulador e egoísta, e Eduardo como a donzela  em apuros, pueril e indefesa contra os perigos do mundo capitalista.

Andrew Garfield com certeza foi uma ótima escolha para viver Ben Parker no próximo Spider-Man! Ah, o que? Ele vai ser o Peter? FUUUUUUUU

Não por acaso, os melhores momentos do filme são os que não envolvem nenhum desses personagens incrivelmente rasos e unidimensionais, mas sim o cativante Sean Parker, interpretado por Justin Timberlake.

Talvez seja porque ele fundou o Napster, (ou seja, algo que realmente fez diferença para a humanidade, ao contrário do Facebook) ou talvez seja o fato de que sua história é contada numa conversa de bar em 5 minutos, não num drama de 2 horas. A verdade é que a vida de todas essas pessoas não era digna de ser mostrada num filme, e Sean sabe disso. Então ele apenas senta e fala: “Eu queria impressionar uma garota e me dar bem. Aí criei o Napster. Deu muita merda na esfera jurídica, mas não vou entrar em detalhes. Enfim, eu ferrei com a indústria musical. Legal, né?” Sim, muito legal, Sean! Obrigado! De verdade!

Sabe o que não é legal, no entanto? Facebook, remo, e Andrew Garfield.

Sente e olhe para esta foto por 2 horas. Pronto, você acaba de assistir "The Social Network".

Eu realmente não consigo conceber como “The Social Network” poderia ser pior do que é. Ok, talvez se ele fosse dirigido pelo James Cameron. Continuaria tendo maniqueísmo barato,  só que seria em 3D.

POPoints: 29%

– Thomas Schulze





PS3/X360 – Scott Pilgrim vs. The World (2010)

4 10 2010

A mesma velha história de sempre... Garoto conhece garota, garoto se apaixona pela garota, garoto precisa derrotar os sete ex-namorados malignos da garota.

Uma das razões pela qual a HQ canadense Scott Pilgrim vs. The World fez um enorme sucesso no mundo das histórias em quadrinhos foi o modo como o autor Bryan Lee O’Malley conseguiu dialogar diretamente com o público jovem, fazendo referências a seu estilo de vida, e, ao mesmo tempo, carregando a obra de referências nostálgicas. Neste sentido, o jogo Scott Pilgrim vs the world fica o mais próximo possível de seu material de origem, pois mesmo tendo uma roupagem condizente com os tempos atuais, com seus gráficos sensacionais em alta definição, é uma obra pesadamente inspirada em games antigos.

O jogo é um clássico beat ‘em up. E como tal, se aplica a regra que serve a todos os jogos do gênero: “Jogou um, jogou todos”. O que, é claro, não deve ser encarado como uma crítica, especialmente porque Scott Pilgrim vs the world se une a The Simpsons Arcade Game, Streets of Rage e Double Dragon como um dos grandes jogos do gênero. O único “problema” é que, se beat ‘em ups não fazem seu estilo, não é aqui que você vai mudar de opinião. Dito isto, para os fãs do estilo, trata-se de um prato cheio.

O jogador pode controlar qualquer um dos quatro principais personagens da série, então é possível espancar seu caminho pelas gélidas ruas de Toronto controlando Scott Pilgrim, Ramona Flowers, Stephen Stills, ou Kim Pine. Cada um, claro, com movimentos, pontos fortes e fracos únicos. Pense em cada personagem como uma tartaruga ninja do game Teenage Mutant Ninja Turles: Turtles in Time e terá uma boa ideia do que esperar em termos de habilidades de luta.

Se você não admira um jogo cuja tela de seleção de personagens é inspirada em Super Mario Bros. 2, está no site errado.

Não obstante, a comparação mais justa em termos de jogabilidade seria o clássico River City Ransom, que parece ter servido de esqueleto para o game. Afinal, é possível interagir com objetos largados pelo cenário, desde tacos de baseball até bolas de neve. Cada inimigo derrotado deixa dinheiro no chão, que pode ser usado para melhorar o personagem e o transformar numa pequena máquina de matar. Aliás, para auxiliar na matança, há suporte para quatro jogadores em modo co-operativo. Mas nem sinal de um modo de jogo online, então é preciso encontrar três amigos e dividir o sofá para usufruir de toda a diversão que o game tem a oferecer.

A trama segue a mesma ordem da história em quadrinhos. Para os que não estã familiarizados, Scott Pilgrim deve derrotar a liga dos sete ex-namorados do mal de Ramona Flowers a fim de poder ficar com a garota para sempre. Simples assim. O game possui uma fase para cada ex-namorado, resultando num total de sete níveis de insanidade e psicodelia crescente que devem ser batidos a fim de enfrentar o temível vilão Gideon no último nível.

O número de fases é adequado, especialmente considerando a alta dificuldade do game. Numa campanha single player, retornar para fases antigas a fim de subir o nível do personagem é praticamente essencial para conseguir zerar a aventura. E vale frisar, fazer isso não é frustrante e/ou entediante, muito menos um truque barato para fazer a campanha durar mais, já que é bastante divertido e gratificante revisitar cenários e ver o personagem ficar mais forte e chutar mais e mais bundas canadenses.

A trilha sonora é cortesia da banda de chiptune Anamanaguchi e é incrivelmente empolgante, honrando a memória de grandes trilhas sonoras 8-bit como MegaMan e Contra. É a típica seleção de músicas que deveria ser lançada em CD, pois gruda na cabeça e dá vontade de ouvir mesmo quando não se está jogando.

Cofrinhos alados, estrada em forma de arco-íris, blocos do Super Mario no caminho, erros de programação no céu... Um típico dia na vida de Scott Pilgrim.

O grande mérito do jogo Scott Pilgrim vs. the world é capturar perfeitamente o clima dos quadrinhos e dos games beat ‘em up dos anos 1980 e 1990, e ao mesmo tempo ter um brilho próprio que o consagra como um dos games mais divertidos do ano. Por apenas US$10,00, é um game absolutamente essencial em qualquer biblioteca, e potencialmente o melhor download do ano.

POPoints: 88%

– Thomas Schulze





Dear John (2006)

8 09 2010

A orelha de “Querido John” descreve o escritor Nicholas Sparks como “o autor do New York Times com mais de 13 títulos publicados e o único autor contemporâneo a emplacar, por mais de um ano, um romance na lista dos mais vendidos.” Uma descrição mais honesta diria “Nicholas Sparks é uma moça”. Uma descrição ainda mais honesta diria “Nicholas Sparks é uma moça com severo retardo mental”.

Nicholas Sparks, em foto recente.

A sinopse oficial revela que o livro trata de um amor fortemente influenciado pelo 11 de Setembro. O protagonista, John Tyree, é um militar que deve escolher entre a pátria e o amor de Savannah (Ou Savana. A edição nacional parece indecisa, já que a donzela muda de nome meia dúzia de vezes ao longo da obra.) Lynn Curtis. Interessante, não? Você provavelmente espera uma história cheia de mortes e dilemas morais. Com um pouco de sorte, talvez até uma história de soldado atormentado, que retorna incapaz de amar. Algo na linha dos filmes “Guerra ao Terror” ou “Entre Irmãos”. Mas o que você recebe na realidade? Uma edição da revista capricho com 280 páginas.

Mas nem tudo é feminilidade. Por exemplo, por um capítulo inteiro você vai ler sobre moedas. Pois é. Moedas. Fascinante, não? Em defesa de Sparks, o próprio autor reconhece que o tema é tão interessante quanto segurar um pêssego por 5 horas e meia no centro de Bangu. Pena que isso não o faz parar de falar no assunto. O objetivo, que fique claro, é fazer o leitor sentir simpatia pelo pai doente de John, que vive uma rotina entediante por portar a doença de Asperger. Bom, só porque sua rotina é miserável, não significa que minha leitura precisa ser também.

Mas obviamente não é o arco das moedas que transforma Nicholas Sparks numa moça. É a história de amor entre John e Savannah. Por intermináveis páginas os dois flertam e nada acontece. São encontros seguidos de encontros e nada acontece. Então o que John, como bom soldado, sujeito durão, faz? Rouba um beijo? Manda uma one liner e leva a garota pra cama, estilo James Bond? Não, diz “eu te amo”. Sei que é difícil ler isso e acreditar em mim, então aqui vai uma transcrição do momento:

“‘Você não tem ideia do quanto os últimos dias significaram pra mim’, comecei. ‘Conhecer você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo.’ Hesitei, sabendo que, se parasse agora, nunca seria capaz de dizer a ninguém. ‘Eu amo você’, sussurrei.”.

Os leitores fãs do seriado How I Met Your Mother devem conhecer esse movimento como “o Mosby”, (E os leitores que não são fãs do seriado deviam tomar vergonha na cara e assisti-lo agora mesmo.) e sabem muito bem como uma mulher normal reage ao ouvir isso. Então força, Savannah, defenda a honra das mulheres!

“…ela interrompeu. ‘Você não entende. Não estou com medo por causa do que você disse. Fiquei assustada porque também quero dizer. Eu amo você, John.'”

Apenas porque o post precisava de um pouco de testosterona depois dessa.

Então o namoro começa. E tudo é lindo e maravilhoso. O casal não se desgruda, abre mão de sua individualidade, e vira o típico modelo de relação que todo mundo deveria odiar. Andam juntos de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo, e de novo. E de novo.

É, eu sei, só quis enfatizar quanto tempo eles ficam colados. Por que? Porque não há sexo! Meu deus, Nicholas Sparks é uma moça! Como um homem, pior, um soldado, que passa meses no deserto sem uma mulher, pode passar tanto tempo com sua namorada e não fazer nada? E desde quando não fazer nada virou um modelo de cavalheirismo a ser seguido? (Ah é, desde Crepúsculo. Obrigado por nada, Stephenie Meyer!)

Eventualmente o sexo acaba rolando, é verdade, mas nesse ponto já é tarde demais e o estrogênio já deve ter dominado todo o organismo do leitor. Mas espere, há uma esperança. Vejam, é o ataque terrorista do 11 de Setembro! FUCK YEAH, teremos uma guerra! John precisa então escolher entre defender os Estados Unidos contra os terroristas ou ficar com Savannah. E escolhe a guerra! Manda ver, John!

Mundo pós 11 de setembro.

Mundo pós 11 de setembro segundo Nicholas Sparks.

O que acontece é que John fica sentado no deserto por anos, sem matar ninguém, apenas como um artifício de roteiro para ver seu relacionamento com Savannah abalado. Aliás, acho que este é o momento oportuno para revelar que Savannah é uma moça. Ok, nada errado com isso, na verdade. Ocorre que ela também é uma moça com severo retardo mental.

Sabe como hoje em dia é possível conversar via webcam para matar as saudades? Sabe como e-mails chegam imediatamente e são incrivelmente fáceis e convenientes de se abrir em qualquer lugar do mundo? Pois é, Savannah não. Ela só manda cartas! Deus, relacionamentos a distância já são quase impossíveis de dar certo, relacionamentos baseados em cartas então…

Por essas e por outras é absolutamente impossível torcer pelo casal, e descobrir que eles não terminam juntos não causa emoção alguma. ( <- Cuidado, spoiler! Ah, tarde demais? Whoa, que pena, hein?) Quer dizer, causa raiva por ter perdido um valioso tempo lendo um livro tão medíocre.

POPoints: 24%

– Thomas Schulze





Inception (2010)

14 08 2010

Nos meus 24 anos de vida, posso contar nos dedos as vezes em que saí do cinema completamente deslumbrado com o que assisti. Em 12/08/2010, Inception se uniu a Jurassic Park, Men In Black, e Armageddon na lista de experiências cinematográficas essenciais e inesquecíveis.

E é por isso que eu me sinto moralmente obrigado a fazer uma recomendação: Se você ainda não assistiu Inception, pare de ler este review imediatamente e corra para o cinema. Sério. Nem precisa se dar ao trabalho de ler o texto para saber se o filme é bom. Aqui vai um adiantamento: O score lá embaixo vai ser “POPoints – 90%”. Satisfeito?

Ok, você vai continuar lendo, não é? Último aviso: Chegar no cinema como Tabula Rasa, completamente perdido e aberto às informações torna a experiência ainda melhor. Mas, se você não quiser me ouvir, aqui vai a sinopse:

Leonardo DiCaprio, no melhor momento de sua carreira, se redime completamente de ter vivido Jack em Titanic, e personifica Cobb, um homem que ganha a vida invadindo sonhos e roubando valiosas informações, mas que encontra-se impedido de estar com seus filhos devido a erros cometidos em seu passado.

Mas a oportunidade de se redimir surge na figura do abastado executivo Saito, (Ken Watanabe) que oferece a Cobb a chance de reecontrar os filhos caso consiga cumprir uma missão: Ao invés de roubar informações, agora ele deve realizar uma inserção de ideia no subconsciente de Robert Fischer, (Cillian Murphy) herdeiro de uma grande corporação rival.

Para tanto, Cobb conta com a ajuda de seu velho parceiro Arthur, (Joseph Gordon-Levitt) do forjador de imagens Eames, (Tom Hardy) do químico Yusuf, (Dileep Rao) e da novata arquiteta Ariadne (Ellen Page),  que fica com a missão de elaborar o design dos cenários nos sonhos e, mais importante, de fazer o papel da audiência no filme, pois vamos aprendendo junto com ela o funcionamento do mundo de Inception. E, acredite, há muito a se aprender.

Tanto que algumas pessoas chegaram a considerar Inception confuso. N verdade, ele é até bastante didático. Uma boa parcela da primeira metade do filme é gasta com o universo sendo explicado detalhadamente para Ariadne por meio de diálogos e exemplos práticos, então basta prestar o mínimo de atenção para não ficar perdido (Sim, eu estou falando com você, Xexeo.) e entender como funcionam os níveis de sono e como eles interagem com a realidade e entre si.

Comentário pueril e honesto: O quão legal é você ter Tom e Juno em cena juntos? Muito legal, se você quer saber.

Completam o elenco Marion Cotillard, que vive a sexy e enigmática Mal, o amor de Cobb, e como é de praxe nos filmes de Christopher Nolan, Michael Caine. Por que a parceria com Caine é tão recorrente quanto a de Johnny Depp e Tim Burton é algo que eu não entendo mas, ao contrário desta última, aprecio.

E já que estamos falando em apreciar, vamos aos elogios. Visualmente, Inception é tão impressionante quanto é possível ser. Pra não estragar surpresas, fica apenas o registro de que tudo que aparece no trailer (Ou seja, a física alterada que fornece lutas em gravidade zero, ruas que se erguem e mudam de forma, objetos que implodem, etc.) é ainda mais embasbacante na telona. Desde The Matrix não se via algo tão capaz de derrubar queixos.

Sim, eu sei que muitos estão comparando Inception a The Matrix, e gostaria muito de não ter que bater nesta mesma tecla, mas permitam-me fazer isso apenas uma vez para dizer que a sequência em que Arthur luta em um corredor que roda devido ao deslocamento gravitacional que ocorre num nível superior de sono é a experiência cinematográfica mais embasbacante desde que Neo desviou das balas no telhado do primeiro The Matrix.

Bom, é melhor ser comparado a The Matrix do que a Avatar, certo? Aliás, aqui vai um paradoxo da humanidade: As pessoas se impressionarem mais com o visual de Avatar do que com o de Inception. Como, meu Deus, como?!?! (E, de brinde, mais um comentário honesto, mas nem um pouco pueril: James Cameron, VAI SE FUDER, SEU FILHO DA PUTA!)

Ainda no ramo da ação, também é digno de nota o arco da invasão à fortaleza na neve, que não faria feio se inserido em algum 007 dos anos 80. Há tiroteios intensos, persguições frenéticas de esqui… Ou seja, mesmo que você seja um completo imbecil, como Artur Xexeo, já encontra aqui motivos mais que suficientes para se divertir demais com o filme.

Graças à excelente direção de Christopher Nolan, que parece melhorar a cada filme, (E que, agora, já merece ter pelo menos uma estatueta do Oscar em casa) às ágeis montagem e edição, (Opa, mais dois Oscars possíveis!) os 148 minutos de duração passam voando e você termina a experiência se sentindo como se tivesse ficado apenas 1:30 horas no cinema.

E como elogiar nunca é demais, a trilha sonora de Hans Zimmer é magistral, possivelmente seu melhor trabalho até hoje. (O que é um mérito absurdo se levarmos em conta que seu currículo inclui as trilhas de filmes como Batman – Dark Knight, Gladiator, e Lion King) Seu clima soturno, denso, e misterioso chega a evocar Blade Runner ocasionalmente. Se Michael Giacchino e John Williams não surgirem com algo sensacional nos meses que restam, já temos mais um Oscar garantido para Inception.

Mas sabe qual é a melhor coisa de Inception? O roteiro, há 10 anos trabalhado por Nolan, é incrivelmente bem escrito e amarrado, mas ao mesmo tempo deixa pontas o suficiente para que possamos continuar a debater e apreciar o filme por anos a fio. (Tudo bem, ele é um pouco mais confuso do que deveria ser, mas nada que uma segunda ou terceira viagem pelo filme não consiga resolver.)

O elogio máximo: Desde Lost eu não ficava tão impressionado com uma obra de ficção. Aliás, fãs de Lost, prestem especial atenção na cena do aeroporto, e vejam se o reconhecem de algum lugar. Melhor ainda, vejam se a cena não parece inspirada em seu seriado favorito.

Moral da história: Vá ao cinema. Compre o DVD original quando ele for lançado. Assista e recomende aos seus amigos, para que o excelente trabalho de Christopher Nolan receba o reconhecimento que merece e, mais importante, para que o mundo abrace a ideia de que Blockbusters não precisam ser desprovidos de cérebro para gerar dinheiro. Ou então se contente em continuar recebendo novos Avatar, cujo único lampejo de profundidade é proporcionado pelos óculos 3D. A escolha é sua.

POPoints: 90%

– Thomas Schulze





Hori – Hori (2009)

25 07 2010

Fiuk é filho do Fabio Junior. O Felipe Neto. (Aliás, não Fiuk, esse lenço/cachecol/porra qualquer aí no teu pescoço não te torna legal, desculpa aí.)

Verdade Absoluta sempre foi um site honesto com seus leitores, e não é hoje que isso vai mudar. Então permita-me abrir o jogo de uma vez: não fosse o recente episódio entre Fiuk e Felipe Neto, dificilmente você veria um review do CD da banda Hori por aqui. Mas o site vive de polêmicas e escândalos, então nada mais natural que pegar o assunto do momento em busca de visitas.

Mas não me entendam errado, eu não adquiri o CD com o intuito de massacrá-lo. Não, não. Se acabasse esbarrando com o OK Computer nacional, o elogiaria com o maior prazer. Mas também não nasci ontem, e já desconfiava que estava levando para casa uma obra completamente descartável que seria esquecida logo depois da primeira audição. Então aqui estou eu, prestes a massacrar um dos piores discos que ouvi na vida.

Mas antes de analisar o CD, uma breve aula de história: Hori é uma banda paulista formada por blá, (guitarra e vocal) bláblá, (guitarra de apoio) blábláblá, (bláteria)  bláblábláblá, (bláixo) e Fiuk, (Vocal e estrela teen) e ninguém dava a mínima para eles até o vocalista entrar para a novelinha adolescente Malhação ID.

O primeiro CD da banda Hori foi criativamente batizado de… “Hori”. Tamanho fascínio pela palavra me fez pesquisar seu significado. Aparentemente, Hori quer dizer “aquele que cultiva o solo” na Nova Zelândia, “habitantes das cavernas” em hebraico, ou “nome aleatório e ruim que adolescentes escolheram ao acaso” em português.

Eu realmente preciso jogar uma legenda engraçada aqui ou a foto se sustenta sozinha como piada? (Sim, foi uma pergunta retórica)

O trabalho é aberto com o pseudo-hit “Segredo”, que você provavelmente já teve a infelicidade de encontrar na televisão ou rádio. Basicamente, trata-se de uma faixa pop previsível e descartável. Fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“Quando você voltar” também fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota. “A paz” repete tudo que foi tocado nas faixas anteriores. Ameaça falar sobre o futuro da humanidade, mas adivinha só? Fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“Ela” é mais uma melodia pop óbvia, e eu não vou mentir pra vocês, pulei a faixa depois de 1 minuto de mesmisse. Se eu tiver perdido alguma coisa diferente de um cara apaixonado correndo atrás de uma garota, favor avisar nos comentários.

“23 de novembro”, por sua vez, consegue ter o nome mais aleatório do CD, uma vez que não há qualquer menção à data na letra. Há, sim, uma música que fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“O que eu sonhava” é um pesadelo musical, e a coisa mais desinteressante que já aconteceu no mundo desde que um pombo voou sobre o Ministério do Trabalho e depois pousou em frente ao Fórum, onde comeu algumas migalhas até se sentir satisfeito, voando posteriormente para o topo do Cartório Regional, onde dormiu. Pelo menos a música fala sobre um cara que quer que a garota corra pra longe, na primeira variável da fórmula de composição da banda.

Então temos “Verdade”, absoluta perda de tempo. Só vale a pena destacar que a letra conta com a linda frase “Pra que tanta hipocrisia? Desigualdade é uma mentira”.

Uau, belo exemplo de consciência social, Fiuk.

“Medo, sonhos e coragem” é, francamente, uma merda.

“Foi melhor” fala sobre como era minha vida antes de ouvir o CD. “Talvez” é apenas mais uma faixa vazia, retardada e óbvia. Aliás, reparem como minha paciência pra analisar e avaliar faixas iguais entre si já está por um Fiuk. Este review é um verdadeiro desafio, pois eu estou tendo que encontrar modos diferentes de avaliar a mesma música de novo e de novo.

“Felicidade, paz e harmonia” mostra que a banda já perdeu o Fiuk da meada há muito tempo, e deveria fechar o cd. Mas não fecha, e quando eu pensava em respirar aliviado, descubro que o disco ainda carrega consigo duas faixas-bônus: “Quem eu sou” e “Só você”. Por instantes eu desejei encontrar um hilário cover de Latino na segunda. Pueril, eu sei. Encontrei apenas um cover de segunda do Fábio Jr, fechando o disco da forma mais óbvia possível.

Encerrada a audição, acho que finalmente descobri o verdadeiro significado da palavra Hori:  “Horivel” ou “Horipilante”. É uma banda tão ruim quanto esse trocadilho. Pense nisso.

POPoints: 08%

– Thomas Schulze