The Social Network (2010)

1 11 2010

A história do Facebook como ela é: O orkut veio primeiro. Todo mundo usava e era feliz. Então brasileiros começaram a monopolizar a rede social, e os americanos ficaram de saco cheio e não souberam o que fazer pra se livrar de nossa má influência. Então migraram em peso para o Facebook, um site notoriamente inferior com que ninguém se importava até então. Aí veio o twitter e agora todos estão felizes. Fim.

A história do Facebook segundo “The Social Network”: Um drama arrastado de duas horas de duração em que as pessoas gastam metade do tempo falando (E, só Deus sabe o porquê, falando numa velocidade ridiculamente rápida) de informática e sobre como computadores são legais, e metade do tempo falando de processos jurídicos e como eles também são LEGAIS. (ahn, ahn?) Ah sim, também tem uma hilária e completamente desnecessária competição de REMO em algum lugar no meio do filme para dar variedade.

Isso é o máximo que você vai ter de empolgação em "The Social Network".

Sabe o que é mais legal em um filme que deveria apenas contar a história da criação de um site? Basicamente David Fincher nos entrega uma obra inteiramente parcial e maniqueísta.

Jesse Eisenberg, o Michael Cera do terceiro mundo, interpreta Mark Zuckerberg, o cabeça do Facebook ou, na visão do filme, o VILÃO. Já Andrew Garfield, do alto de seus 67 anos de idade, interpreta Eduardo Saverin, o melhor amigo de Mark, e único brasileiro completamente honesto da história do país. Então você senta por 2 horas e ouve sobre como Mark é uma péssima pessoa e como o pobre Eduardo foi blindsided. Fascinante.

O pior é que o filme tenta disfarçar a manipulação dos fatos com uma narrativa alicerçada em flashbacks, que teoricamente ilustram os distintos pontos de vista de todos os envolvidos na criação do Facebook. Bela tentativa, exceto pelo fato de que TODAS as visões mostram exatamente a mesma coisa: Mark como um monstro anti-social, interesseiro, manipulador e egoísta, e Eduardo como a donzela  em apuros, pueril e indefesa contra os perigos do mundo capitalista.

Andrew Garfield com certeza foi uma ótima escolha para viver Ben Parker no próximo Spider-Man! Ah, o que? Ele vai ser o Peter? FUUUUUUUU

Não por acaso, os melhores momentos do filme são os que não envolvem nenhum desses personagens incrivelmente rasos e unidimensionais, mas sim o cativante Sean Parker, interpretado por Justin Timberlake.

Talvez seja porque ele fundou o Napster, (ou seja, algo que realmente fez diferença para a humanidade, ao contrário do Facebook) ou talvez seja o fato de que sua história é contada numa conversa de bar em 5 minutos, não num drama de 2 horas. A verdade é que a vida de todas essas pessoas não era digna de ser mostrada num filme, e Sean sabe disso. Então ele apenas senta e fala: “Eu queria impressionar uma garota e me dar bem. Aí criei o Napster. Deu muita merda na esfera jurídica, mas não vou entrar em detalhes. Enfim, eu ferrei com a indústria musical. Legal, né?” Sim, muito legal, Sean! Obrigado! De verdade!

Sabe o que não é legal, no entanto? Facebook, remo, e Andrew Garfield.

Sente e olhe para esta foto por 2 horas. Pronto, você acaba de assistir "The Social Network".

Eu realmente não consigo conceber como “The Social Network” poderia ser pior do que é. Ok, talvez se ele fosse dirigido pelo James Cameron. Continuaria tendo maniqueísmo barato,  só que seria em 3D.

POPoints: 29%

– Thomas Schulze

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Inception (2010)

14 08 2010

Nos meus 24 anos de vida, posso contar nos dedos as vezes em que saí do cinema completamente deslumbrado com o que assisti. Em 12/08/2010, Inception se uniu a Jurassic Park, Men In Black, e Armageddon na lista de experiências cinematográficas essenciais e inesquecíveis.

E é por isso que eu me sinto moralmente obrigado a fazer uma recomendação: Se você ainda não assistiu Inception, pare de ler este review imediatamente e corra para o cinema. Sério. Nem precisa se dar ao trabalho de ler o texto para saber se o filme é bom. Aqui vai um adiantamento: O score lá embaixo vai ser “POPoints – 90%”. Satisfeito?

Ok, você vai continuar lendo, não é? Último aviso: Chegar no cinema como Tabula Rasa, completamente perdido e aberto às informações torna a experiência ainda melhor. Mas, se você não quiser me ouvir, aqui vai a sinopse:

Leonardo DiCaprio, no melhor momento de sua carreira, se redime completamente de ter vivido Jack em Titanic, e personifica Cobb, um homem que ganha a vida invadindo sonhos e roubando valiosas informações, mas que encontra-se impedido de estar com seus filhos devido a erros cometidos em seu passado.

Mas a oportunidade de se redimir surge na figura do abastado executivo Saito, (Ken Watanabe) que oferece a Cobb a chance de reecontrar os filhos caso consiga cumprir uma missão: Ao invés de roubar informações, agora ele deve realizar uma inserção de ideia no subconsciente de Robert Fischer, (Cillian Murphy) herdeiro de uma grande corporação rival.

Para tanto, Cobb conta com a ajuda de seu velho parceiro Arthur, (Joseph Gordon-Levitt) do forjador de imagens Eames, (Tom Hardy) do químico Yusuf, (Dileep Rao) e da novata arquiteta Ariadne (Ellen Page),  que fica com a missão de elaborar o design dos cenários nos sonhos e, mais importante, de fazer o papel da audiência no filme, pois vamos aprendendo junto com ela o funcionamento do mundo de Inception. E, acredite, há muito a se aprender.

Tanto que algumas pessoas chegaram a considerar Inception confuso. N verdade, ele é até bastante didático. Uma boa parcela da primeira metade do filme é gasta com o universo sendo explicado detalhadamente para Ariadne por meio de diálogos e exemplos práticos, então basta prestar o mínimo de atenção para não ficar perdido (Sim, eu estou falando com você, Xexeo.) e entender como funcionam os níveis de sono e como eles interagem com a realidade e entre si.

Comentário pueril e honesto: O quão legal é você ter Tom e Juno em cena juntos? Muito legal, se você quer saber.

Completam o elenco Marion Cotillard, que vive a sexy e enigmática Mal, o amor de Cobb, e como é de praxe nos filmes de Christopher Nolan, Michael Caine. Por que a parceria com Caine é tão recorrente quanto a de Johnny Depp e Tim Burton é algo que eu não entendo mas, ao contrário desta última, aprecio.

E já que estamos falando em apreciar, vamos aos elogios. Visualmente, Inception é tão impressionante quanto é possível ser. Pra não estragar surpresas, fica apenas o registro de que tudo que aparece no trailer (Ou seja, a física alterada que fornece lutas em gravidade zero, ruas que se erguem e mudam de forma, objetos que implodem, etc.) é ainda mais embasbacante na telona. Desde The Matrix não se via algo tão capaz de derrubar queixos.

Sim, eu sei que muitos estão comparando Inception a The Matrix, e gostaria muito de não ter que bater nesta mesma tecla, mas permitam-me fazer isso apenas uma vez para dizer que a sequência em que Arthur luta em um corredor que roda devido ao deslocamento gravitacional que ocorre num nível superior de sono é a experiência cinematográfica mais embasbacante desde que Neo desviou das balas no telhado do primeiro The Matrix.

Bom, é melhor ser comparado a The Matrix do que a Avatar, certo? Aliás, aqui vai um paradoxo da humanidade: As pessoas se impressionarem mais com o visual de Avatar do que com o de Inception. Como, meu Deus, como?!?! (E, de brinde, mais um comentário honesto, mas nem um pouco pueril: James Cameron, VAI SE FUDER, SEU FILHO DA PUTA!)

Ainda no ramo da ação, também é digno de nota o arco da invasão à fortaleza na neve, que não faria feio se inserido em algum 007 dos anos 80. Há tiroteios intensos, persguições frenéticas de esqui… Ou seja, mesmo que você seja um completo imbecil, como Artur Xexeo, já encontra aqui motivos mais que suficientes para se divertir demais com o filme.

Graças à excelente direção de Christopher Nolan, que parece melhorar a cada filme, (E que, agora, já merece ter pelo menos uma estatueta do Oscar em casa) às ágeis montagem e edição, (Opa, mais dois Oscars possíveis!) os 148 minutos de duração passam voando e você termina a experiência se sentindo como se tivesse ficado apenas 1:30 horas no cinema.

E como elogiar nunca é demais, a trilha sonora de Hans Zimmer é magistral, possivelmente seu melhor trabalho até hoje. (O que é um mérito absurdo se levarmos em conta que seu currículo inclui as trilhas de filmes como Batman – Dark Knight, Gladiator, e Lion King) Seu clima soturno, denso, e misterioso chega a evocar Blade Runner ocasionalmente. Se Michael Giacchino e John Williams não surgirem com algo sensacional nos meses que restam, já temos mais um Oscar garantido para Inception.

Mas sabe qual é a melhor coisa de Inception? O roteiro, há 10 anos trabalhado por Nolan, é incrivelmente bem escrito e amarrado, mas ao mesmo tempo deixa pontas o suficiente para que possamos continuar a debater e apreciar o filme por anos a fio. (Tudo bem, ele é um pouco mais confuso do que deveria ser, mas nada que uma segunda ou terceira viagem pelo filme não consiga resolver.)

O elogio máximo: Desde Lost eu não ficava tão impressionado com uma obra de ficção. Aliás, fãs de Lost, prestem especial atenção na cena do aeroporto, e vejam se o reconhecem de algum lugar. Melhor ainda, vejam se a cena não parece inspirada em seu seriado favorito.

Moral da história: Vá ao cinema. Compre o DVD original quando ele for lançado. Assista e recomende aos seus amigos, para que o excelente trabalho de Christopher Nolan receba o reconhecimento que merece e, mais importante, para que o mundo abrace a ideia de que Blockbusters não precisam ser desprovidos de cérebro para gerar dinheiro. Ou então se contente em continuar recebendo novos Avatar, cujo único lampejo de profundidade é proporcionado pelos óculos 3D. A escolha é sua.

POPoints: 90%

– Thomas Schulze





Eclipse (2010)

3 07 2010

Suspensão de descrença: Robert Pattinson tem 17 anos.

É difícil compreender o que se passa na mente de Stephenie Meyer. Claro, ser uma gorducha rejeitada, patética e praticamente analfabeta provavelmente contribuiu para ela escrever a vingança literária contra o mundo que é a saga Crepúsculo, mas é difícil de acreditar que após 3 filmes (e três livros, que abordam os elementos da história com muito mais detalhes) Edward “Bob Pattinson” Cullen não tenha fincado absolutamente nada em Bella. É simplesmente impressionante.

Eclipse é, para todos os efeitos, um filme melhor que Prepúsculo e Lua Nova. O filme traz mais ação, menos romance imbecil e tenta forjar melhores diálogos. Mas o que mais irrita é a insistência em manter a mesma estrutura de sexualidade reprimida dos outros dois.

Os personagens principais estão de volta. Jacob, interpretado pelo abdômen de Taylor Lautner, não acrescenta nada de relevante à trama. Ele força Bella a admitir que sente alguma coisa por ele e ganha absolutamente nada com isso. Bella, por sua vez, muda. Se a garota não é um personagem sensacional, pelo menos abandonou a personalidade de pêra e o hábito de deitar em posição fetal, ambos explorados nos primeiros filmes. Já Pattinson resolveu mudar seu estilo de atuação. Sai o Edward completamente desprovido de qualidades dos dois filmes anteriores, com sua eterna cara de cachorro sem dono e entra… hahaha, te peguei. Ele continua o mesmo imbecil brilhante (literalmente) de antes.

Salsi Fufu, ié ié!! Bilu bilu tetéia!

Pra ser sincero, Edward conseguiu piorar. Todas as qualidades que as pessoas atribuíam a ele (e nunca eram exibidas pelo personagem) continuam sem dar as caras, mas o “vampiro” aqui tem a moral de ser possessivo ao extremo, tratando Bella como um saco de esterco. Ainda assim, Patty-Boy ainda arranca suspiros das menininhas no cinema, o que com certeza é um dos sinais indicando o apocalipse. O fato de Edward ser considerado um cavaleiro em armadura brilhante do século XXI mostra que Meyer conseguiu mandar um gigantesco foda-se para a sociedade.

Para alegria de absolutamente ninguém na face da Terra, os Volturi estão de volta no filme. E a participação deles é tão relevante quanto este parágrafo.

Fuck you, Dakota Fanning. Fuck. You.

“Mas caro Gerhard, seu ousado ourives da crítica, cadê a trama? Você não viu esta pepita e está falando sobre ela?”. Bem, vamos à trama. Victoria, uma personagem perdida do primeiro filme, quer matar Bella usando um exército. Wow. A princípio você pensa: “Overkill”, até constatar, perplexo, que o exército tem cerca de 12 integrantes. E aí você se surpreende por ter se surpreendido: desde sempre a série Prepúsculo tem uma abordagem muito liberal sobre os termos usados em sua mitologia, sendo o principal deles o termo “vampiro”, que passou de badass womanizer da noite para chorão purpurinado e sem testículos.

Nosferatu flagrado por um papparazzi no exato momento que viu o mito do vampiro ir por água abaixo.

Existe uma cena particularmente constrangedora em Eclipse. Bella, querendo liberar o playground pro Edward, explicitamente querendo o coito, e o vampiro maravilha negando. Eu não quero deixar implícito que ele é uma bicha impotente, por isso, vou explicitar: Edward Cullen é uma bicha impotente. Não é possível que eu tenha acabado de ver a cena que eu vi, dentro e fora das telas. Enquanto Pattinson, do alto de sua performance marcante pela miríade de matizes, negava fogo, justificando tudo com alguma babaquice envolvendo matrimônio, o cinema foi invadido por suspiros. Enquanto Crepúsculo atacou o cinema enquanto arte, Eclipse coroa a série como uma afronta à humanidade.

O problema é que se passaram três filmes. E nada. A tensão sexual em Eclipse é o suficiente para construir uma bomba (de tensão sexual, aparentemente, eu me perdi na analogia), mas Meyer se recusa a liberar alguma válvula. Em vez disso, temos Jacob sem camisa durante o filme todo, em uma objetificação vazia, barata e imbecil do homem, além da manutenção da sexualidade na estaca zero. O que eu quero dizer é: Bella precisa tirar a camisa.

"Essa imagem não tem relação com a frase anterior." - Departamento de imagens e mentiras do VA

Mas por imbecil que o filme seja, ele consegue ser mesmo o melhor da franquia. A ação tem qualidade, surpreendentemente, e o filme tenta ser engraçado ocasionalmente. Ele falha miseravelmente durante grande parte do tempo, mas a tentativa é nobre. Outro ponto fundamental é Charlie, pai de Bella, que mantém seu papel cativo como O cara desde Lua Nova. O bigodudo dispara as melhores falas do filme e é entretenimento puro em cada minuto que aparece na tela.

"Não, Gerhard, você que é O cara" - Charlie, após ser contactado pelo VA, no nosso escritório em Spoon, cidade vizinha de Forks.

Eclipse melhora sim alguns problemas da franquia, mas ainda é retardado. No fim das contas, mesmo com mais ação, mais pressão e mais tensão, Eclipse falha em botar pra fuder. Literalmente.

45% POPoints

– Gerhard Seibert

Thom diz:
jogar essa bagagem fora seria um desperdício
livros lidos só servem pra impressionar mulher, nada mais
Gerhard Brêda – Laboratorista pop diz:
A pior coisa possível seria odiar quem gosta, tecnocamente
tecnicamente*
Thom diz:
Ah, ok, depois disso. hahahahha




Transformers: Revenge Of The Fallen (2009)

9 05 2010

Apelativo? Nem, nem...

Explosão. Fiapo de história. Explosão. Fiapo de história mal contada. Explosão. Humor. Explosão gigante. Fiapo de história ainda mais mal contada. Explosão. Você para de se importar com a história. Explosão. Explosão. Explosão.

Se essa sequência lhe ofende, as chances de você odiar o diretor Michael Bay e seu Transformers: Revenge Of  The Fallen são bem grandes. (E, acredite, você não seria o único a abraçar esse ponto de vista.) Mas eu tenho um pouco de compaixão por Michael Bay e sua obra. O diretor é limitado, sabe disso, e portanto abusa das explosões e dos clichês numa tentativa pueril de divertir o público.

Bad Boys e A Rocha são grandes filmes pipoca que comprovam a eficiência da fórmula Bay quando bem executada. O problema é que quando Bay erra, ele erra feio. Resta saber, então, se o novo Transformers se aproxima mais do ótimo Armageddon ou do aborto chamado Pearl Harbor.

A resposta é simples: Fica no meio do caminho. Trata-se de um filme que tem seus momentos, mas que sofre com algumas falhas graves.

Você realmente consegue odiar um diretor que trouxe Armageddon ao mundo? Eu não.

Em Revenge of the Fallen, Shia LaBeouf reprisa seu papel de Sam Witwicky. E Sam, embora eficiente no papel de protagonista-padrão-amigo-dos-robôs, hospeda o primeiro problema do filme: Deixou de vestir a camisa da banda The Strokes.

Pode parecer algo pequeno, mas tal vestimenta era uma das poucas coisas que forneciam carisma ao protagonista. Sem ela, resta apenas um cara sem personalidade, cuja única função é correr pra cá e pra lá fingindo que é útil. Não custava nada escolherem uma nova roupa interessante para o pobre Sam. Sem uma camisa legal, todo o carisma que Sam obtém no novo filme é obtida por tabela de seus pais, que entregam os melhores momentos humorísticos do filme, como na cena em que visitam e constrangem o filho na faculdade. Tal cena é incrivelmente divertida e conta com uma ótima interação entre os personagens. É uma pena que o filme não tenha muitas outras neste estilo.

Voltando aos personagens, temos John Turturro novamente vivendo o ligeiramente inquietante agente Simmons. Um personagem confuso, mas que acaba se adaptando melhor à “história” deste filme que a do anterior. E não é possível deixar de analisar também a personagem Mikaela, interpretada por Megan Fox, certamente a atriz mais hypada deste século.

Pois bem, Megan Fox virou uma paródia de si mesma. No primeiro Transformers, ela chocou o mundo com sua beleza e excelente forma física, de modo que ninguém se preocupava com sua atuação ou com a história de sua personagem. Quando você a reencontra em Revenge of the Fallen, a surpresa já não é mais a mesma, você já está familiarizado com sua aparência, então começa a esperar algo mais. Talvez uma grande atuação e/ou bom desenvolvimento de personagem. No entanto, não recebe nenhum dos dois. Mikaela apenas corre de lá pra cá com sua sempre limpa calça branca (que não suja mesmo rolando na areia egípcia), enquanto Megan a interpreta no piloto automático, tal qual um robô.

E já que estamos falando em robôs, saiba que há novos Transformers em cena, e eles atingem resultados variados: Há um decepticon interessante que pode se transformar em humano, o que se mostra empolgante e gera boas cenas. (Embora o fato de um robô virar humano ao invés de veículo possa ofender os fãs mais puristas) Há também um robô velho chamado Jetfire que precisa de bengala, o que é meio cômico e sem sentido, e um robô minúsculo domesticado por Mikaela, que deveria fornecer alívio cômico, mas não fica tempo suficiente em cena.

The Fallen, o grande vilão, fica apenas na promessa, pois surge como um imperador Palpatine em potencial, mas acaba sumindo do filme aos poucos sem motivo aparente. Temos a inclusão de dois robôs gêmeos pelos Autobots, Skids e Mudflap, que a princípio parecem carismáticos, mas depois se mostram levemente inconvenientes.

Há ainda uma infinidade de outros robôs em cena, mas, acredite, a esmagadora maioria não exerce qualquer ação relevante, e está lá apenas pra aumentar a contagem de corpos e explosões.

Isso remete ao maior problema do primeiro filme, que eram as sequências de ação, nas quais era virtualmente impossível visualizar qual robô estava em cena, e em quem ele estava batendo. Em Revenge of the Fallen, isso é atenuado, mas não muito.

Se você consegue identificar esse Transformer em menos de 42 segundos, eu te odeio.

Algumas cenas são realmente empolgantes, como quando Optimus Prime enfrenta uma série de Decepticons na floresta. É fácil entender o que está acontecendo, então a experiência é gratificante. Já a batalha final no Egito é extremamente caótica, e em algumas ocasiões é impossível saber onde exatamente está seu robô favorito. (Mas, de novo, não chega perto do caos que era a sequência final do filme anterior.)

Se a ação melhorou, existe um novo pecado, quase imperdoável: A duração absurda do filme (Bem mais que duas horas). Ora, se você não tem uma história para contar, não engane a audiência. Vá direto ao ponto e soque tudo em uma hora e meia, como ocorre nos bons filmes de ação.

O público alvo deste filme é bem definido: Se você é o tipo de pessoa cujo ideal de diversão é passar mais de duas horas vendo tanques, jatos e soldados atirando, destruindo e sendo destruídos por robôs, com as cenas de ação sendo intercaladas somente por um pouco de humor e belas silhuetas femininas, este é o seu filme. Agora, se você procura um filme com conteúdo, passe longe.

POPoints: 63%

– Thomas Schulze





The Expendables (2010)

25 04 2010

POPoints: 1000%

– Gerhard Seibert, Thomas Schulze





Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull (2008)

19 02 2010

Os fãs tiveram que esperar muito, muito tempo por um novo Indy. Valeu a pena ou o chapéu e chicote deveriam ter sido aposentados permanentemente?

A onda de revivals instaurada por ótimos filmes como Die Hard 4.0 e Rocky Balboa preparou o terreno para que outras amadas franquias fossem continuadas. Nada mais natural, então, que Indiana Jones, um dos personagens mais famosos do cinema, receba uma nova aventura para alegrar mais uma geração.

Seus três primeiros filmes (Raiders of the Lost Ark, Temple of Doom, e Last Crusade) deram um novo significado ao termo “aventura” com suas sequências de ação de tirar o fôlego, oportunas cenas de humor, locações exóticas e relíquias interessantes.

Trazer o maior arqueólogo de todos os tempos de volta à ativa em “Kingdom of the Crystal Skull” implicava na obrigação de manter vivo tal legado. E, mesmo com alguns pequenos tropeços aqui e ali, a nova aventura de Indy consegue fazer justiça à franquia.

Antes do lançamento do filme, questionava-se a validade de uma nova aventura de Indy. E se o novo Indiana Jones tivesse a mesma qualidade da nova trilogia Star Wars? Por mais que tenhamos no filme seres de uma galáxia muito, muito distante, felizmente não há nada que chegue perto da ofensividade de um Jar Jar Binks.

Alguns chegam a reclamar da fantasia exagerada, da fartura das cenas de “mentirada”. (Um episódio da excelente série South Park chega a massacrar o filme, mostrando que, aos olhos das crianças, Steven Spielberg e George Lucas estupraram Indiana Jones. Um menino chega a chorar lembrando da cena da geladeira.)

Mas desde quando a série primou pelo realismo? Uma geladeira que resiste à uma explosão nuclear é tão crível quanto a água de um cálice curar um ferimento de bala, se você analisar friamente. Quem assiste Indiana Jones não pode esperar realismo, apenas diversão. Para arqueologia monótona, basta assistir History ou Discovery Channel.

Ok, eu não odeio a cena da geladeira, mas fazer um brinquedo sobre ela é levar o balde até o fim.

Mas, mesmo que as cenas de ação cruzem a sua linha de tolerância, há bastante alma no restante do filme para torná-lo agradável.

Situada em 1957 (ou seja, 19 anos após os eventos do filme anterior), a nova aventura coloca o Dr. Jones numa corrida contra os soviéticos atrás da Caveira de Cristal que dá nome ao filme. Embora a caveira em si não tenha tanta fama quanto a arca da aliança ou o cálice sagrado, é um tesouro interessante o suficiente para fazer a história funcionar e prender sua atenção.

O senso de humor e a interação entre personagens está no tom, (A cena em que Indy e Marion são socorridos da areia movediça por Ox e Mutt é brilhante) e tudo é pontuado pela sempre excelente trilha sonora de John Williams, que mescla velhos temas (como a marcha dos caçadores) às novas composições, gerando uma atmosfera ao mesmo tempo nostálgica e empolgante.

Harrison Ford, apesar da idade avançada, continua vivendo um Indiana Jones carismático e sedento por ação. Shia Labeouf é bom, embora não tenha carisma suficiente para protagonizar sua própria aventura, (como parecem ser os planos de Spielberg e Lucas) e Cate Blanchett incorpora perfeitamente uma caricata vilã russa.

Em qualquer outro filme, Irina Spalko seria uma vilã ridícula. Em Indiana Jones, seus poderes psiquicos são convincentes e empolgantes.

O resto do elenco, que conta com velhos rostos conhecidos da franquia e novos personagens, é eficiente e em momento algum compromete o andamento do filme. Spielberg segue dirigindo muito bem as cenas de ação, e ocasionalmente proporciona tomadas geniais.

No fim das contas, o maior defeito de “Kingdom of the Crystal Skull” é ter que competir com seus geniais antecessores. Comparado a aventuras modernas como “National Treasure” e “The Mummy”, é um dos melhores filmes da história. Comparado à “Raiders of the Lost Ark”, fica devendo.

Você pode até achar o filme fraco, mas deveria dar uns 5 pontos pra ele só por não ter Nicolas Cage.

POPoints: 73%

– Thomas Schulze





Sherlock Holmes (2009)

17 01 2010

Uma das melhores duplas da atualidade.

Se você acreditava, utilizando seus poderes de dedução comparáveis aos de Sherlock Holmes, que eu começaria este review com alguma frase espirituosa (e clichê, há de se convir) como “Elementar, meu caro Watson” ou “Guy Ritchie está de volta”, você está completamente errado e seus poderes de dedução são um lixo. Elementar, meu caro leitor.

À trama, sem delongas:  Sherlock (Robert Downey Jr.) e Watson (Jude Law) desmantelam um culto liderado pelo nobre Lord Blackwood (Mark Strong, em performance fraca). Este é o último caso de Watson, que vai se mudar do tradicional apartamento na Baker Street e vai morar com sua futura esposa, Mary. Blackwood é enforcado, caso encerrado… ah, claro, não. Blackwood levanta dos mortos e sai de sua tumba. Holmes e Watson voltam ao caso e devem impedir que o nobre consiga concretizar seus planos. No meio do caminho, Holmes encontra a fraca personagem Irene Adler (interpretada sem nenhum destaque por Rachel McAdams) e tenta lidar com a saída de seu parceiro.

Sherlock Holmes, por Guy Ritchie, não é exatamente perfeito. O vilão, embora seja ameaçador e bastante sherlockiano, é relativamente simplório e Irene é, em seus melhores momentos, promissora. Em seus piores, chega a ser patética. É impossível saber exatamente o que ela quer ou para que ela serve no filme (na verdade é bem fácil, ela não serve para absolutamente nada). Ela e Holmes tem uma backstory mal desenvolvida, e McAdams não consegue se decidir por ser uma personagem cativante, uma femme fatale ou uma donzela em perigo. Acaba sendo tudo e nada, no fim das contas.  

Irene Adler, pulando de uma personalidade para a outra.

No entanto, estas pequenas máculas são mais que encobertas pela química da dupla principal, Sherlock e Watson, uma das melhores dos últimos anos. Sherlock Holmes é um “buddy cop movie”, nos moldes de Máquina Mortífera. Por outro lado, como não poderia deixar de ser, o personagem principal é um excelente detetive. E, resgatando elementos obscuros da obra de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock é um excelente lutador. O cara é, basicamente, o Batman da época.

Algo assim, na verdade.

É realmente notável o quanto Sherlock Holmes se parece com os tradicionais “buddy cop movies”. Holmes é o personagem talentoso, mas inconsequente, o canhão prestes a disparar, o excêntrico. Watson, por outro lado, é o personagem organizado, responsável e que está prestes a “se aposentar”. Temos também, é claro, o inspetor Lestrade, que calça confortavelmente os sapatos do superior carrancudo que troca farpas com o personagem excêntrico. Brilhante, por parte do time de roteiristas, a ideia de desenterrar esse gênero tão popular nos anos 80 e repaginar para a nova geração.

O estilo de Ritchie está presente na fotografia ágil, mas se engana quem acha que verá um Snatch – Porcos na Era Vitoriana. O maior acerto do diretor está no emprego da visão analítica de Holmes para as lutas. O detetive avalia os alvos dos golpes, deduz as reações e calcula os efeitos dos golpes. Brilhante. Ritchie também brilha em uma cena com explosões, uma das mais interessantes que eu vi nos últimos anos. Em slow motion completamente justificável, explosões enfeitam o ambiente e são envolvidas por uma cortina inquietante de silêncio. Pode ser um dos melhores momentos do diretor até hoje.

Por fim, vale destacar que nenhuma observação de Holmes sai do nada ou fica sem explicação. O filme não é didático ao extremo, ele não subestima você. Mas também não superestima, como os livros por vezes faziam. Holmes via um lápis no chão e deduzia que alguém havia sido baleado e ainda jogava um “Elementar, meu caro Watson” para coroar a situação.  

"Elementar? Cara, as vezes, eu acho que você inventa essas explicações, só isso..."

É bom ver que um personagem que inspirou tantos personagens (Batman, House, só pra citar dois excelentes e deixar você, leitor, satisfeito) está recebendo um bom tratamento no cinema. Que venham as sequências.

 

POPoints: 90%

-Gerhard Seibert