Is This indie (2011)

21 02 2012

O melhor CD da última década? Possivelmente.

 

Você, leitor fiel do Verdade Absoluta, sabe muito bem que isto aqui é mais do que um site. Você não chega a 1.444 comentários e 85.000 visitantes sem fazer alguns inimigos. E o Verdade Absoluta pode se gabar de ter os inimigos mais patéticos do mundo.

 

A nossa missão aqui sempre foi glorificar o que está certo, mas principalmente combater o que está errado. E eu não estou falando dos hate comments de pessoas idiotas e semi-analfabetas que eu e o Gerhard fazíamos questão de responder um por um. Não, quando eu falo de inimigos, eu quero dizer que nós sempre tentamos lutar contra o que está errado no mundo, e proteger os bons valores. Parece piegas, provavelmente é, mas também é verdade: Cada crítica a Prepúsculo, Pitt, Arctic Monkeys, e Lady Gaga, sempre procurou levar a juventude pro bom caminho. Um caminho com mais Stallone e menos Pucca. Mais Oasis e menos Bom Boi Bicycle Club. Mais Ricky Gervais e menos Kibe Loko.

 

E por um tempo nós tiramos as rodinhas do mundo e deixamos vocês andarem sozinhos pra ver como se sairiam. O resultado? Aqui estamos nós, mais de um ano depois do último post, vendo o blog Rock N Beats achar que seria uma boa ideia pegar uma das poucas coisas irrepreensiveis dos anos 2000, o cd Is This It, dos Strokes, e tornar o disco uma merda. No blog eles provavelmente diriam que apenas reimaginaram todas as músicas com uma pegada folk. Mas eu prefiro simplificar e dizer “tornaram o disco uma merda”, porque é mais honesto e passa a mesma mensagem.

 

Quem lê meus reviews musicais sabe que eu costumo avaliar os cds faixa a faixa, até mesmo pra provar que ouvi tudo. Mas hoje não. Hoje não… Hoje siiim? Bom, mais ou menos, vocês vão ter que agir de boa fé e confiar que eu joguei meu orgulho no lixo, curti a página do Rola N Beats no Facebook, e ouvi o cd todo quatro vezes pra avaliar tudo com justiça. (Mentira, foram apenas duas ouvidas. Viu onde a boa fé te leva na vida?)

 

Enfim, ao invés de reclamar das faixas uma a uma, eu acho mais válido abrir a análise do disco reclamando do projeto em si. Se vocês perderam o título do post em letras garrafais, o álbum se chama “Is This Indie?”, num jogo de palavras com “Is This It”. Pescaram? E meu maior problema com o projeto já vem daí. Tá tudo errado já na merda da capa ostentando essa porra de título. “Is this INDIE?” No, it isn’t. Um nome mais correto seria “Is this shit?”

 

A pior coisa que já aconteceu pra humanidade? Possivelmente.

 

 

Porque sabem o que era Strokes no começo da década passada? Pra quem não acompanhou, Strokes era rock. Rock sujo, bom, e honesto. Rock de garagem. Strokes não é e nem deve ser unido a essa porra de folk de merda que nego está querendo enfiar na minha cara neste tributo. Eu acho muito válido fazer releituras de músicas, repaginá-las completamente… Mas, por favor, não faça a mesma coisa em todas as faixas. E, se for fazer isso, não faça com pegada folk.

 

Até porque o que tornou Strokes surrealmente foda na época é que essa banda era muito mais do que indie. Ela se distanciou demais do que a galera hipster curtia, mas sem alienar esse público. Ironicamente, dá pra argumentar que Strokes fazia o que o Coldplay faz hoje e irrita tanta gente metida a antenada: Strokes fez ponte entre o indie e o mainstream: O homem médio ouvia Strokes no carro. Bebia e ouvia Strokes. Comia a namorada ouvindo Strokes.

Hoje temos esses cabacinhos ouvindo Fleet Foxes e se achando descolados, e ainda querem botar Strokes retroativamente no mesmo grupo. Porra, enrola o cabaço no pau e enfia no cu.  Quando Strokes veio ao Rio, no auge da popularidade, eu fui ao show do Cais do Porto com dois lelesks de Niterói. E tinha todo tipo de gente lá. Inclusive hipsters, é verdade, mas muita patricinha, muita gente normal de bobeira, e principalmente roqueiros de jeans sujo e cerveja na mão, celebrando a música. Então quando você lança um cd 2011 revisitando essa época, não vem na minha cara fazer arranjo folk-indie e me falar que Strokes é a nada de gente alternativa, porque não é.

 

Agora que isso saiu do caminho… Se você realmente quiser ouvir este disco, me permita te passar o caminho das pedras. Você deve ouvir a versão do Cicero pra Barely Legal. É facilmente a melhor coisa do disco. Tem uma vibe meio Professor Layton, é genuinamente interessante, vale uma ouvida de boa vontade. O resto das faixas, vou ser honesto com vocês, eu já descurti o Rola N Beats no Facebook e daria algum trabalho googlar agora quem gravou qual versão de tal música, porque eu só anotei os nomes das músicas conforme ia dando notas, então se vira aí se quiser saber quem está tocando.

 

Então, Is this it e modern age são péssimas e folk. Soma tem uns instrumentos de sopro legaizinhos, curti de leve. Someday soa como se Chris Martin tocasse Fix You mas sofresse de autismo. Alone Together é mais daquele folkzinho mais ou menos. Last nite é como se aquela banda bem intencionada mas musicalmente limitada dos seus amigos fizesse um cover numa apresentação de escola. Não é muito folk, então yay! Hard To Explain eu nem me lembro como soa, nem joguei nenhuma obervação do lado no meu txt de review do disco, só uma nota 5, então imagino que é outro folk mais ou menos. New York City Cops é um lixo e uma ofensa a tudo que existe no mundo. Trying Your Luck melhora um pouco o disco, mas foda-se a essa altura. Take It Or Leave It é a mais… Rural do disco. É como se você pegasse Kings of Leon, tirasse o talento, e botasse Britto Junior no lugar. Surpreendentemente, isso soa menos pior que a maioria das outras faixas. When It Started, só pra me quebrar, não é folk. Tem toda uma vibe meio Bjork do 3º mundo. Aí vem “Rosa”, que se eu não perdi alguma coisa, é completamente aleatória com sua letra marota em português. Tivesse sido cantada com a letra original, seria uma versão mais legal que a Last Nite deste álbum. Aí o disco fecha com uma versão maneirissima de Sagganuts. É bem legal mesmo, se você se importar ainda. É, ouve isso e Cícero e ignora o resto do cd, é o melhor que você faz. Ou não ouve porra nenhuma e vai viver. Mas volta aqui em algum momento que a gente vai fazer um podcast. Semana que vem. Ou ano que vem.

POPoints: 05%

– Thomas Schulze





Hori – Hori (2009)

25 07 2010

Fiuk é filho do Fabio Junior. O Felipe Neto. (Aliás, não Fiuk, esse lenço/cachecol/porra qualquer aí no teu pescoço não te torna legal, desculpa aí.)

Verdade Absoluta sempre foi um site honesto com seus leitores, e não é hoje que isso vai mudar. Então permita-me abrir o jogo de uma vez: não fosse o recente episódio entre Fiuk e Felipe Neto, dificilmente você veria um review do CD da banda Hori por aqui. Mas o site vive de polêmicas e escândalos, então nada mais natural que pegar o assunto do momento em busca de visitas.

Mas não me entendam errado, eu não adquiri o CD com o intuito de massacrá-lo. Não, não. Se acabasse esbarrando com o OK Computer nacional, o elogiaria com o maior prazer. Mas também não nasci ontem, e já desconfiava que estava levando para casa uma obra completamente descartável que seria esquecida logo depois da primeira audição. Então aqui estou eu, prestes a massacrar um dos piores discos que ouvi na vida.

Mas antes de analisar o CD, uma breve aula de história: Hori é uma banda paulista formada por blá, (guitarra e vocal) bláblá, (guitarra de apoio) blábláblá, (bláteria)  bláblábláblá, (bláixo) e Fiuk, (Vocal e estrela teen) e ninguém dava a mínima para eles até o vocalista entrar para a novelinha adolescente Malhação ID.

O primeiro CD da banda Hori foi criativamente batizado de… “Hori”. Tamanho fascínio pela palavra me fez pesquisar seu significado. Aparentemente, Hori quer dizer “aquele que cultiva o solo” na Nova Zelândia, “habitantes das cavernas” em hebraico, ou “nome aleatório e ruim que adolescentes escolheram ao acaso” em português.

Eu realmente preciso jogar uma legenda engraçada aqui ou a foto se sustenta sozinha como piada? (Sim, foi uma pergunta retórica)

O trabalho é aberto com o pseudo-hit “Segredo”, que você provavelmente já teve a infelicidade de encontrar na televisão ou rádio. Basicamente, trata-se de uma faixa pop previsível e descartável. Fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“Quando você voltar” também fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota. “A paz” repete tudo que foi tocado nas faixas anteriores. Ameaça falar sobre o futuro da humanidade, mas adivinha só? Fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“Ela” é mais uma melodia pop óbvia, e eu não vou mentir pra vocês, pulei a faixa depois de 1 minuto de mesmisse. Se eu tiver perdido alguma coisa diferente de um cara apaixonado correndo atrás de uma garota, favor avisar nos comentários.

“23 de novembro”, por sua vez, consegue ter o nome mais aleatório do CD, uma vez que não há qualquer menção à data na letra. Há, sim, uma música que fala sobre um cara apaixonado correndo atrás de uma garota.

“O que eu sonhava” é um pesadelo musical, e a coisa mais desinteressante que já aconteceu no mundo desde que um pombo voou sobre o Ministério do Trabalho e depois pousou em frente ao Fórum, onde comeu algumas migalhas até se sentir satisfeito, voando posteriormente para o topo do Cartório Regional, onde dormiu. Pelo menos a música fala sobre um cara que quer que a garota corra pra longe, na primeira variável da fórmula de composição da banda.

Então temos “Verdade”, absoluta perda de tempo. Só vale a pena destacar que a letra conta com a linda frase “Pra que tanta hipocrisia? Desigualdade é uma mentira”.

Uau, belo exemplo de consciência social, Fiuk.

“Medo, sonhos e coragem” é, francamente, uma merda.

“Foi melhor” fala sobre como era minha vida antes de ouvir o CD. “Talvez” é apenas mais uma faixa vazia, retardada e óbvia. Aliás, reparem como minha paciência pra analisar e avaliar faixas iguais entre si já está por um Fiuk. Este review é um verdadeiro desafio, pois eu estou tendo que encontrar modos diferentes de avaliar a mesma música de novo e de novo.

“Felicidade, paz e harmonia” mostra que a banda já perdeu o Fiuk da meada há muito tempo, e deveria fechar o cd. Mas não fecha, e quando eu pensava em respirar aliviado, descubro que o disco ainda carrega consigo duas faixas-bônus: “Quem eu sou” e “Só você”. Por instantes eu desejei encontrar um hilário cover de Latino na segunda. Pueril, eu sei. Encontrei apenas um cover de segunda do Fábio Jr, fechando o disco da forma mais óbvia possível.

Encerrada a audição, acho que finalmente descobri o verdadeiro significado da palavra Hori:  “Horivel” ou “Horipilante”. É uma banda tão ruim quanto esse trocadilho. Pense nisso.

POPoints: 08%

– Thomas Schulze





White Lies – To Lose My Life (2009)

19 06 2010

Não, a capa do CD não quer dizer nada pra mim também.

Ah, Inglaterra… Existe país que tenha dado à luz mais bandas de qualidade? A White Lies, oriunda de Ealing, West London, como boa súdita da rainha que é, cumpre bem sua missão de transmitir música de qualidade para o resto do mundo.

Aliás, não é preciso ser um grande estudioso da música para, em menos de um minuto de audição de To Lose My Life, CD de estreia do White Lies, perceber qual é a maior influência sonora da banda formada por Harry McVeigh, (Vocal e guitarra) Charles Cave, (Baixo) Jack Lawrence-Brown, (Bateria) e Tommy Bowen. (Teclado) A sonoridade sombria do White Lies, especialmente o vocal de Harry, remete diretamente à lendária Joy Division.

O CD abre com a sensacional Death, que logo de cara confere ao disco um ar bem dark. Na sequência, a não menos genial To Lose My Life, faixa que dá nome ao álbum, mantém a qualidade e cativa o ouvinte com sua pegada dançante, sendo uma ótima pedida para embalar qualquer festa.

A Place to Hide, mesmo sendo bastante agradável, dá uma quebrada no início avassalador do álbum. Fifty on Our Foreheads e Unfinished Business, extremamente climáticas e com um certo ar de Echo and the Bunnymen, retomam o gás inicial.

Há quanto tempo vocês não viam uma simpática e pueril recomendação musical aqui no Verdade Absoluta, né? Sabem o porquê disso? Porque vocês só visitam os posts sobre Lady Gaga! Pronto, falei. Mas tudo bem, amo vocês mesmo assim. Agora ouçam White Lies, beleza?

E.S.T. e From the Stars, infelizmente, constituem e elo mais fraco do cd, sendo faixas extremamente descartáveis que estão lá apenas para cumprir tabela. Mas tudo bem, porque logo em seguida temos Farewell to the Fairground, faixa brilhante que já nasceu pronta para ser cantada em grandes festivais. O ponto alto do CD, certamente. Se você precisa experimentar alguma música para se convencer da qualidade da banda, que seja esta.

Nothing to Give e The Price of Love fecham o trabalho de modo digno, comprovando que canções com climão dark de anos 70 são mesmo o ponto forte da banda.

O White Lies pode não inovar em absolutamente nada no mundo da música, mas a qualidade de suas composições é inegável. E em uma Inglaterra que ficou precocemente órfã de Joy Division, qualquer banda que ouse tentar continuar seu legado já merece atenção e respeito.

POPoints: 82%

– Thomas Schulze





Franz Ferdinand – Fundição Progresso – RJ (2010)

22 03 2010

Uma banda no auge de sua forma, tocando de modo apaixonado para uma plateia igualmente apaixonada. Franz Ferdinand fez história no "Ríou Di Janiro".

Quem foi à Fundição Progresso no dia 19/03/2010 certamente não vai conseguir parar de sentir. Não vai conseguir parar de sentir como se tivesse vivido sonhos lúcidos ao longo das quase 2 horas de show. Não vai conseguir parar de se sentir sortudo. Muito, muito sortudo, por ter presenciado um espetáculo histórico.

A noite teve início com o simpático show da simpática banda Moptop que, como toda banda de abertura, sofreu com o mal de ter a maior parte do público completamente desinteressada em seu trabalho.

Ainda assim, Gabriel Marques e sua trupe tocaram com muito empenho, se divertiram no palco, e só erraram ao valorizar um pouco demais o seu CD mais recente, que conta com faixas notoriamente inferiores ao álbum de estreia. Não por acaso, os melhores momentos do show ficaram com as sensacionais Paris e Sempre Igual.

O Rock acabou. Mas logo na sequência começou a catarse.

Teve início então o show que todos realmente estavam esperando. Ao som de um peculiar som grave similar a um motor, que logo se converteu em uma música épica, os quatro rapazes de Glagow subiram ao palco para tocar Bite Hard, que surpreendentemente consegue soar melhor ao vivo do que em CD. Um feito considerável, já que trata-se de uma das melhores músicas da banda.

Falando em performance ao vivo, é impressionante o modo como os integrantes da banda dominam seus instrumentos, seu palco, e as reações de seu público. Nick McCarthy, guitarrista, se revela uma criatura de agilidade sobre-humana. Escala pilastras e amplificadores, dança, rodopia, assovia e chupa cana, tudo ao mesmo tempo, sem errar uma nota sequer. Alex Kapranos, vocalista e pura simpatia, anima a galera, se esforça no português, e leva as meninas ao delírio. Paul Thomson, baterista, é incansável e toca com fervor. Chega até a arriscar alguns acordes na guitarra, e o faz com estilo, tocando com baqueta no lugar de palheta. Bob Hardy, baixista, é o mais contido, mas talvez mais estiloso membro da banda. Suas batidas pulsantes dão todo um swing especial para as músicas e tornam as canções do Franz sempre sexy e/ou dançantes.

Outsiders? Nah, os Ferdinandos se sentem em casa no Rio de Janeiro.

O repertório do show foi irrepreensível. Dando espaço para faixas de todos os cds, não faltaram momentos inesquecíveis. Do cd de estreia, Michael, 40 feet, Take me Out e This Fire empolgaram demais o público. De You Could Have It So Much Better, brilharam Do You Want To, The Fallen e Outsiders, esta última executada em versão estendida que contou com os 4 membros da banda na bateria, no que foi possivelmente o momento mais impressionante do show.

Houve espaço também para Van Tango, um excelente b-side muito requisitado pelo público, e para um ótimo cover de All My Friends, da banda LCD Soundsystem. Mas foi mesmo Tonight o cd que contou com o maior número de faixas executadas, como era de se esperar. Os hits Ulysses, Can’t Stop Feeling e No You Girls botaram a galera para cantar e dançar sem parar. Lucid Dreams também foi bastante interessante em seu flerte com a música eletrônica e fechou o show do melhor modo possível.

A lamentar, apenas o fato de que houve um considerável atraso para o início dos shows, e que ainda assim o som da Fundição Progresso estava longe do ideal. Não foram poucos os ouvidos que chegaram em casa zunindo por causa do som demasiado alto e mal regulado.

Mas toda a espera e dor foram um pequeno preço a pagar, já que a performance do Franz Ferdinand foi tão boa que conseguiu tornar virtualmente irrelevantes esses pequenos detalhes. Sendo assim, a única dor que fica é saber que provavelmente ainda vamos ter que esperar mais de um ano pela próxima visita da banda.

Se tem uma coisa que não da pra deixar de sentir é saudade de uma das bandas mais carismáticas e talentosas que já passaram pelo Rio.

POPoints: 99%

– Thomas Schulze





Coldplay – Apoteose – RJ (2010)

7 03 2010

Atraindo mais público para a Apoteose que os shows do Kiss e do Radiohead, o show do Coldplay entrou para a história do Rio de Janeiro. A lamentar, somente as roupas dos integrantes da banda.

Você se importa com o Vanguart? Não? Nem o pessoal que foi no show do Coldplay dia 28/02/2010 na Apoteose. Nem a própria banda, que fez seu show com muita má vontade. Então que tal nós simplesmente ignorarmos sua existência?

Ótimo, sabia que entenderia. Até porque isso libera mais espaço no post para o Coldplay. E também para a surpreendente Bat for Lashes.

Normalmente eu não dou muito valor para bandas de abertura, e era de se esperar que a Bat for Lashes recebesse desta crítica a mesma consideração e carinho que o Vanguart recebeu linhas atrás. Acontece que, ao contrário do Vanguart, a Bat for Lashes produz boas músicas.

Natasha KHAAAAAAAAAAAN, uma bela moça, com uma bela voz, produzindo belas músicas.

O som experimental da Bat for Lashes, a.k.a. Natasha Khan, não é de fácil digestão, então não é nenhuma surpresa que a maior parte do público tenha ignorado o show.

Com um tempo curto para mostrar seu repertório, Natasha acabou optando por divulgar principalmente o material de seu mais novo CD, Two Suns, que conta com faixas sensacionais como Siren’s Song e Daniel, que soam ainda melhores ao vivo. Mas houve espaço também para uma faixa do CD Fur and Gold, a ótima What’s a Girl to Do, cujo clipe, inspirado no genial filme Donnie Darko, merece ser visto no Youtube.

A plateia acabou ficando dividida com o show. Muitos estavam impacientes e não viam a hora do show principal começar, o que acabou gerando insultos à pobre Bat for Lashes. Mas uma pequena parcela mais sábia do público se deixou cativar pelo carisma e talento de Natasha.

Fica a torcida para que algum dia a Bat for Lashes tenha sua qualidade reconhecida por todos, e retorne ao Brasil para tocar em um evento no qual sua proposta sonora fique menos deslocada.

Vista aérea da Apoteose segundo o telão que anunciou a entrada do Coldplay no palco. Então tá certo, atualizem seus Google Earth.

Contrariando a pontuliadade britânica, o Coldplay subiu ao palco com um atraso de meia hora. Mas nem isso, nem a chuva que caía no momento, e nem o fato do telão ter confundido a Apoteose com o Maracanã foram suficientes para esfriar a plateia, que foi ao delírio no momento em que Chris Martin, Johnny Buckland, Guy Berryman e Will Champion subiram no palco.

A abertura com Life in Technicolor, faixa instrumental sem momentos de explosão capazes de fazer o público pular, poderia ser considerada um pouco broxante quando comparada às aberturas dos shows de turnês passadas da banda, (que eram abertos com Politik ou Square One) mas faz muito sentido dentro do contexto, já que o show é fechado com Life in Technicolor II, o que gera uma interessante simetria. Ademais, logo na sequência a banda tocou o excelente single Violet Hill, uma canção densa, pesada e empolgante, que funcionou muito bem como cartão de visitas.

Outros singles da banda foram tocados um atrás do outro sistematicamente, sem dar tempo para a plateia respirar. Clocks e In My Place soam aindam melhores do que soavam na turnê que passou pelo Brasil em 2003, já que a banda se mostra muito mais confortável e confiante no palco nos dias de hoje. Chris Martin agora canta, pula, sorri, e corre serelepe pelo palco, mostrando para o público que ama cada segundo de seu trabalho.

Yellow, um dos grandes momentos da noite, fez chover bolas amarelas na plateia, que cantou este verdadeiro hino do início ao fim. Fix You também foi muito bem recebida, mas nada podia preparar as pessoas para Viva la Vida, que contou com um dos maiores coros da história.

Yellow envelheceu bem e provou que já se transformou em hino do rock.

Como o show não tinha como ficar mais épico depois disso, foi uma jogada extremamente inteligente inserir um momento mais intimista no pequeno palco anexo. Tal formato parece querer nos mostrar que o Coldplay não se esqueceu de suas origens, em que tocava músicas introspectivas em pequenas casas de show que várias vezes contavam com palcos minúsculos.

Foi nesse esquema que fomos agraciados com uma linda versão acústica de Shiver, seguida por Death Will Never Conquer, que contou com os simpáticos vocais de Will Champion, além de uma boa canção inédita, que fechou este arco do show.

No primeiro bis, Politik finalmente deu o ar da graça, soando intensa como sempre. Chris Martin ainda inseriu elogios à Bat for Lashes e um “Rio’s a fucking awesome place” na letra da música, gerando gritos empolgados da plateia. Na sequência, Lovers in Japan surpreendeu com uma belíssima chuva de borboletas de papel picado, possivelmente o momento mais impressionante da noite, em termos visuais.

No segundo bis, um The Scientist de certo modo deslocado, mas ainda assim extremamente nostálgico, e Life in Technicolor II que, diferente da versão sem vocal, empolga e fecha o show com perfeição.

Ao contrário do show no Morumbi em São Paulo, o show do Rio de Janeiro contou com um som excelente que podia ser ouvido em qualidade máxima em todos os setores. Boa, Rio!

Assim, alternando sucessos do passado com hits do presente, e canções de arena com canções introspectivas, mas sempre soando honesto, o Coldplay provou que uma banda pode alcançar um sucesso enorme sem abrir mão de seus princípios e sem desvirtuar sua proposta sonora.

Se alguém ainda tinha dúvidas de que o Coldplay é a maior, melhor, e mais relevante banda dos dias de hoje, o show da Apoteose deve servir como resposta.

POPoints: 100%

– Thomas Schulze





Prêmio Verdade Absoluta 2009 – Música

31 12 2009

CDs

Vencedor: Franz Ferdinand – Tonight

O grande cd do ano é Tonight: Franz Ferdinand, da nossa banda escocesa favorita. Os meninos do Franz sempre valorizaram a arte, mas nunca tinham conseguido fazer algo tão criativo quanto este cd conceitual que narra uma noitada do início ao fim, desde os preparativos pilhantes em “Ulysses” até uma viagem ácida em “Lucid Dreams”. Claro, tudo pontuado pelas guitarras dançantes de sempre, cortesia de Kapranos e McCarthy, além da cozinha mais eficiente do século XXI, formada por Hardy e Thomson.

Franz Ferdinand lançou o cd mais sólido de sua carreira. Inspirando-se na obra de James Joyce, narrou a Odisseia de uma night, e impressionou o mundo todo com uma obra incrivelmente coesa e inteligente.

Menções Honrosas: Muse – The Resistance, e White Lies – To Lose My Life

Depois do decepcionante Black Holes and Revelations, a banda Muse volta a lançar um cd de qualidade. The Resistance traz letras inteligentes, a qualidade instrumental de sempre, e firma definitavamente o nome Muse entre os grandes figurões do rock. Mas a surpresa do ano foi a banda White Lies, que lançou o ótimo To Lose My Life. Com influências pesadas de Joy Division e Interpol, o CD traz grandes canções como “Death” e “Farewell to the fairgrounds”, e deve fazer parte de qualquer CDteca que se preze.

Pior CD: Arctic Monkeys – Humbug

Humbug não é o pior lançamento do ano, tecnicamente. O disco leva esta dúbia honra do Verdade Absoluta simplesmente porque é a obra mais decepcionante. O que se espera de Lady Gaga, Pitty, Black Eyed Peas? Nada. Mas humanidade esperava mais dos Monkeys. Humbug pode ter colado pra muita gente, mas pra nós não. Humbug? Tá mais pra HumfuckyouArcticMonkeys.

Pelo menos alguém ficou feliz com Humbug.

Música

Melhor: Franz Ferdinand – Ulysses

Tonight: Franz Ferdinand é o melhor cd do ano, então nada mais justo que sair dele a melhor faixa de 2009. Com o instrumental esperto de sempre, os Ferdinandos conseguiram emplacar mais um hit dançante com  “Ulysses”. A letra narra os preparativos para a night de sua vida, mas esquece de mencionar que uma noite só é realmente awesome quando se toca Franz Ferdinand. Aí a gente nem precisa “get high” pra se divertir.

*Cole aqui a legenda da outra foto do Franz*

Menções Honrosas: Yeah Yeah Yeahs – Zero, e Muse – United States of Eurasia

“Zero” é a melhor coisa que o Yeah Yeah Yeahs já escreveu. Começa tímida, mas poucos segundos depois um crescendo emerge e só se encerra após você ouvir as notas mais ridiculamente dançantes e empolgantes da sua vida. Já a Queeniana “United States of Eurasia” mostra que o Muse realmente leva a sério a missão de se tornar uma das maiores bandas do mundo. Épica, a canção é um potencial hino para estádios, e até agora não sabemos como a música ainda não virou single.

Pior: Beyoncé – Halo

Absolutamente nada contra a Beyonce, que é uma moça muito talentosa, mas é dela a pior música do ano, pois Halo é simplesmente intragável. Kanye West fez de tudo para levar nosso troféu de pior música do ano, mas não rolou: Halo não é apenas a pior canção do ano, mas uma das músicas mais irritantes da história.

"Gente, gente, deixa eu interromper isso aqui... Pô, o prêmio de pior música tinha que ficar com a Beyoncé, tá ligado? Ahn, o que? Ficou com ela? Pô, beleza então, nevermind, toma aqui o microfone de volta."

– Gerhard Seibert, Isa Sampaio, e Thomas Schulze





Lady Gaga – The Fame (2008)

31 10 2009
LadyGagaTheFameAlbumCover

Popopopoker face, papapaparazzi... saquei, por isso que é Lady Gaga

É a hora. A batalha final. O último capítulo na curta, porém intensa, batalha pessoal que eu travei com Lady Gaga e uma corja de haters. Tudo termina hoje e só pode terminar uma vez. Haters, eu devo dizer: The Fame é um monstro completamente diferente de Disco Heaven. E infinitamente melhor.

O disco abre com o pop acéfalo e sem frescuras (ou destaques) Just Dance. Uma faixa que senta confortavelmente na medianidade. Lovegame segue e faz o nível cair. Fraca, com uma batida requentada dos piores hip hops do mercado, a faixa é desprezível. Papparazi, no entanto, é um dos destaques do disco. Por trás de um arranjo dolorosamente synth pop vagaba, se esconde uma pequena gema sombria sobre a imprensa carniceira da fama. As versões acústicas que Gaga executa ocasionalmente provam isso, sendo infinitamente superiores à versão do álbum.

O mega hit Poker Face abre com apenas um par de dois, mas tem sorte que seu refrão é uma quadra de ases. All in all, uma faixa que está longe de agredir e tem até uma melodia bem bolada no refrão. The Fame entra logo em seguida e mantém o nível acima da média. O refrão é meio razoável, mas a guitarra no verso é interessante, assim como a melodia vocal, que não apela em agudos e apenas aproveita o timbre agradável da cantora. Fica meio repetitiva, mas é um dos males da música pop.

Eh Eh (Nothing Else I can Say) leva a direção do álbum para uma espécie de Duran Duran caribenho com a melhor linha de synth do disco. No geral, é uma semi balada honesta e que não foge da premissa geral. A riqueza sonora de The Fame (com a boa linha de guitarra) e Eh Eh (e seus synths oitentistas caribenhos) dá lugar ao fraco e lugar-comum efeito hip hopeiro de Money Honey, embora a melodia não seja das piores. O vocal de Gaga acaba por se destacar em alguns momentos, talvez mais por demérito da faixa do que mérito da cantora.

beaver

Dammit... again!

Eu devo confessar que Again Again me pegou de surpresa. É simplesmente brilhante, o melhor momento do disco e da carreira de Gaga, sem nenhuma dúvida. É pop, mas é brilhantemente composta, cantada, gravada, arranjada. Pode ser que esteja um pouco deslocada do resto do disco, até mesmo no tracklist (eu acho que seria melhor jogar após Eh Eh), mas uma faixa desse nível merece entrar no álbum, não importa aonde. Aqui Gaga atinge um pop superior e, infelizmente, acaba por ofuscar o que vem depois. Boys Boys Boys é a que mais sofre com isso. De certa forma, é um rehash do que foi feito no início do disco, com um refrão acima da média.

Brown Eyes segue a linha de Again Again, se afastando do synth pop e mostrando um pop mais maduro e desenvolvido, puxando um pouco para o rock. É uma balada ok, mas que soa deslocada do disco, especialmente em sua posição, após o pop burro de Boys Boys Boys. Vale destacar, no entanto, que o vocal de Gaga brilha novamente aqui. Summerboy é uma faixa importantíssima, pois faz a ponte entre o synth pop por vezes bem sucedido e o semi pop rock interessante. No geral, é uma boa faixa, com uma linha de guitarra interessante e um arranjo divertido e, de certa forma, é uma boa maneira de fechar o disco, expondo as duas tendências da obra.

Lady Gaga

Acima: Homem! (?)

A esquizofrenia de Disco Heaven ainda está aqui, mas eu compreendo os motivos neste trabalho em particular. Na capa, Gaga está com diamantes refletidos em seus óculos forçadamente fashion. A mulher está com o olho no dinheiro, por isso faixas pop burras como Poker Face e Just Dance, mas ao mesmo tempo é uma compositora e performer com algum talento e deslizou algumas boas faixas no meio das músicas de pista. A falta de coesão em The Fame é quase profunda e, em última instância, não sei se posso punir o álbum por causa disso.

Talvez eu esteja amolecendo com o tempo ou tenha ficado retardado de vez, mas se Gaga seguir o caminho de faixas como Again Again e Papparazi (acústica), teremos uma boa vertente do pop nascendo. E The Fame, no fim das contas, é bom.

POPoints: 75%

– Gerhard Seibert