Eclipse (2010)

3 07 2010

Suspensão de descrença: Robert Pattinson tem 17 anos.

É difícil compreender o que se passa na mente de Stephenie Meyer. Claro, ser uma gorducha rejeitada, patética e praticamente analfabeta provavelmente contribuiu para ela escrever a vingança literária contra o mundo que é a saga Crepúsculo, mas é difícil de acreditar que após 3 filmes (e três livros, que abordam os elementos da história com muito mais detalhes) Edward “Bob Pattinson” Cullen não tenha fincado absolutamente nada em Bella. É simplesmente impressionante.

Eclipse é, para todos os efeitos, um filme melhor que Prepúsculo e Lua Nova. O filme traz mais ação, menos romance imbecil e tenta forjar melhores diálogos. Mas o que mais irrita é a insistência em manter a mesma estrutura de sexualidade reprimida dos outros dois.

Os personagens principais estão de volta. Jacob, interpretado pelo abdômen de Taylor Lautner, não acrescenta nada de relevante à trama. Ele força Bella a admitir que sente alguma coisa por ele e ganha absolutamente nada com isso. Bella, por sua vez, muda. Se a garota não é um personagem sensacional, pelo menos abandonou a personalidade de pêra e o hábito de deitar em posição fetal, ambos explorados nos primeiros filmes. Já Pattinson resolveu mudar seu estilo de atuação. Sai o Edward completamente desprovido de qualidades dos dois filmes anteriores, com sua eterna cara de cachorro sem dono e entra… hahaha, te peguei. Ele continua o mesmo imbecil brilhante (literalmente) de antes.

Salsi Fufu, ié ié!! Bilu bilu tetéia!

Pra ser sincero, Edward conseguiu piorar. Todas as qualidades que as pessoas atribuíam a ele (e nunca eram exibidas pelo personagem) continuam sem dar as caras, mas o “vampiro” aqui tem a moral de ser possessivo ao extremo, tratando Bella como um saco de esterco. Ainda assim, Patty-Boy ainda arranca suspiros das menininhas no cinema, o que com certeza é um dos sinais indicando o apocalipse. O fato de Edward ser considerado um cavaleiro em armadura brilhante do século XXI mostra que Meyer conseguiu mandar um gigantesco foda-se para a sociedade.

Para alegria de absolutamente ninguém na face da Terra, os Volturi estão de volta no filme. E a participação deles é tão relevante quanto este parágrafo.

Fuck you, Dakota Fanning. Fuck. You.

“Mas caro Gerhard, seu ousado ourives da crítica, cadê a trama? Você não viu esta pepita e está falando sobre ela?”. Bem, vamos à trama. Victoria, uma personagem perdida do primeiro filme, quer matar Bella usando um exército. Wow. A princípio você pensa: “Overkill”, até constatar, perplexo, que o exército tem cerca de 12 integrantes. E aí você se surpreende por ter se surpreendido: desde sempre a série Prepúsculo tem uma abordagem muito liberal sobre os termos usados em sua mitologia, sendo o principal deles o termo “vampiro”, que passou de badass womanizer da noite para chorão purpurinado e sem testículos.

Nosferatu flagrado por um papparazzi no exato momento que viu o mito do vampiro ir por água abaixo.

Existe uma cena particularmente constrangedora em Eclipse. Bella, querendo liberar o playground pro Edward, explicitamente querendo o coito, e o vampiro maravilha negando. Eu não quero deixar implícito que ele é uma bicha impotente, por isso, vou explicitar: Edward Cullen é uma bicha impotente. Não é possível que eu tenha acabado de ver a cena que eu vi, dentro e fora das telas. Enquanto Pattinson, do alto de sua performance marcante pela miríade de matizes, negava fogo, justificando tudo com alguma babaquice envolvendo matrimônio, o cinema foi invadido por suspiros. Enquanto Crepúsculo atacou o cinema enquanto arte, Eclipse coroa a série como uma afronta à humanidade.

O problema é que se passaram três filmes. E nada. A tensão sexual em Eclipse é o suficiente para construir uma bomba (de tensão sexual, aparentemente, eu me perdi na analogia), mas Meyer se recusa a liberar alguma válvula. Em vez disso, temos Jacob sem camisa durante o filme todo, em uma objetificação vazia, barata e imbecil do homem, além da manutenção da sexualidade na estaca zero. O que eu quero dizer é: Bella precisa tirar a camisa.

"Essa imagem não tem relação com a frase anterior." - Departamento de imagens e mentiras do VA

Mas por imbecil que o filme seja, ele consegue ser mesmo o melhor da franquia. A ação tem qualidade, surpreendentemente, e o filme tenta ser engraçado ocasionalmente. Ele falha miseravelmente durante grande parte do tempo, mas a tentativa é nobre. Outro ponto fundamental é Charlie, pai de Bella, que mantém seu papel cativo como O cara desde Lua Nova. O bigodudo dispara as melhores falas do filme e é entretenimento puro em cada minuto que aparece na tela.

"Não, Gerhard, você que é O cara" - Charlie, após ser contactado pelo VA, no nosso escritório em Spoon, cidade vizinha de Forks.

Eclipse melhora sim alguns problemas da franquia, mas ainda é retardado. No fim das contas, mesmo com mais ação, mais pressão e mais tensão, Eclipse falha em botar pra fuder. Literalmente.

45% POPoints

– Gerhard Seibert

Thom diz:
jogar essa bagagem fora seria um desperdício
livros lidos só servem pra impressionar mulher, nada mais
Gerhard Brêda – Laboratorista pop diz:
A pior coisa possível seria odiar quem gosta, tecnocamente
tecnicamente*
Thom diz:
Ah, ok, depois disso. hahahahha




White Lies – To Lose My Life (2009)

19 06 2010

Não, a capa do CD não quer dizer nada pra mim também.

Ah, Inglaterra… Existe país que tenha dado à luz mais bandas de qualidade? A White Lies, oriunda de Ealing, West London, como boa súdita da rainha que é, cumpre bem sua missão de transmitir música de qualidade para o resto do mundo.

Aliás, não é preciso ser um grande estudioso da música para, em menos de um minuto de audição de To Lose My Life, CD de estreia do White Lies, perceber qual é a maior influência sonora da banda formada por Harry McVeigh, (Vocal e guitarra) Charles Cave, (Baixo) Jack Lawrence-Brown, (Bateria) e Tommy Bowen. (Teclado) A sonoridade sombria do White Lies, especialmente o vocal de Harry, remete diretamente à lendária Joy Division.

O CD abre com a sensacional Death, que logo de cara confere ao disco um ar bem dark. Na sequência, a não menos genial To Lose My Life, faixa que dá nome ao álbum, mantém a qualidade e cativa o ouvinte com sua pegada dançante, sendo uma ótima pedida para embalar qualquer festa.

A Place to Hide, mesmo sendo bastante agradável, dá uma quebrada no início avassalador do álbum. Fifty on Our Foreheads e Unfinished Business, extremamente climáticas e com um certo ar de Echo and the Bunnymen, retomam o gás inicial.

Há quanto tempo vocês não viam uma simpática e pueril recomendação musical aqui no Verdade Absoluta, né? Sabem o porquê disso? Porque vocês só visitam os posts sobre Lady Gaga! Pronto, falei. Mas tudo bem, amo vocês mesmo assim. Agora ouçam White Lies, beleza?

E.S.T. e From the Stars, infelizmente, constituem e elo mais fraco do cd, sendo faixas extremamente descartáveis que estão lá apenas para cumprir tabela. Mas tudo bem, porque logo em seguida temos Farewell to the Fairground, faixa brilhante que já nasceu pronta para ser cantada em grandes festivais. O ponto alto do CD, certamente. Se você precisa experimentar alguma música para se convencer da qualidade da banda, que seja esta.

Nothing to Give e The Price of Love fecham o trabalho de modo digno, comprovando que canções com climão dark de anos 70 são mesmo o ponto forte da banda.

O White Lies pode não inovar em absolutamente nada no mundo da música, mas a qualidade de suas composições é inegável. E em uma Inglaterra que ficou precocemente órfã de Joy Division, qualquer banda que ouse tentar continuar seu legado já merece atenção e respeito.

POPoints: 82%

– Thomas Schulze





Lost – Season 6 (2010)

27 05 2010

Em setembro de 2004 teve início uma jornada que mudaria para sempre a televisão mundial. O seriado Lost não apenas estabeleceu um novo padrao de qualidade com seu alto valor de produção, como também mudou o modo como a televisão passou a ser consumida pelo mundo, popularizando a cultura do download de episódios e elaboração de legendas de altíssima qualidade pelos fãs poucas horas depois da exibição do episódio no canal ABC.

Não faltaram debates e polêmicas sobre a legalidade ou não deste novo modo de obter episódios de séries, mas são inegáveis os benefícios que Lost trouxe para a televisão, principalmente aqui no Brasil. Preocupados com a perda da audiência daqueles que baixam os episódios por torrent via internet, a janela entre a exibição norte-americana e a nacional foi consideravelmente encurtada. Se antes de Lost tínhamos que esperar cerca de um ano para assistir nossos seriados favoritos, depois de Lost a espera caiu para uma ou duas semanas. Ou seja, nunca estivemos tão integrados com nossos amigos dos Estados Unidos.

Além disso, Lost, com sua caixa de DVD robusta, repleta de extras, também serviu para popularizar a venda de seriados neste formato, o que atraiu a atenção das emissoras, que não demoraram para começar a comercializar muito mais boxes de seriados, atuais ou clássicos, obtendo um ótimo retorno com esse novo mercado que nascia.

A moral da história, e o motivo pelo qual eu passo este rápido levantamento histórico, é frisar que, por pior que fosse a sexta temporada de Lost, o legado do seriado não poderia ser esquecido jamais, e todos deveriam ser eternamente gratos ao que Lost fez pela cultura pop. Mesmo que você tenha odiado os rumos da série, e ache Mad Men e Fringe as séries mais geniais no ar, pense duas vezes antes de falar de Lost, pois se não fosse por ele você muito provavelmente não poderia contar com torrents e legendas de alta qualidade para seu seriado favorito.

Isso não quer dizer, é claro, que deve ser feita vista grossa para os eventuais defeitos da trama. Quer dizer apenas que vociferar asneiras como “Tá vi o final de Lost. Seis anos pra uma ROLHA climática. Surra de vara no Lindelof e Cuse.”, como fez em seu twitter o crítico @erico_borgo, do respeitado portal Omelete, é pedir para ser chamado de completo imbecil.

Dito isto, aqui vai um spoiler da nota que você encontrará lá no final do review: A sexta temporada de Lost é impecável, uma nova definição para a palavra excelência, e o único modo de você ficar insatisfeito com o desenrolar da trama é ser um analfabeto funcional que nunca compreendeu o que a série pretendia lhe passar.

Como vocês devem se lembrar, a quinta temporada é encerrada com um dos cliffhangers mais cruéis da história da televisão, com os losties detonando uma bomba de hidrogênio que os impediria de cair na ilha e mudaria seu destino. Ou pelo menos era o que eles pensavam. Estavam abertas duas possibilidades: Ou a bomba funcionava e o vôo 815 da Oceanic aterrissava com segurança no aeroporto LAX, ou a detonação da bomba representaria o próprio incidente que os losties tentavam evitar, e a história toda se repetiria.

Como logo na primeira cena da temporada vemos Jack e companhia chegando com segurança no aeroporto enquanto a ilha jazia, surpreendentemente, no fundo do mar, somos levados a crer que o plano de detonar a bomba deu certo. Mas como Lost não cansa de nos fazer de bobos, logo na cena seguinte vemos os mesmos personagens andando atordoados pela ilha, deslocados no tempo, perdidos e sem rumo novamente. Estavam assim construídas duas realidades distintas, porém intimamente relacionadas, como viríamos a constatar no final da temporada.

Os flash-sideways, nome dado às cenas situadas na realidade paralela em que o vôo nunca caiu na ilha, foram um recurso narrativo polêmico e que, a primeira vista, parecia que não daria muito certo. Era difícil se importar com um universo que destruía tudo que assistimos ao longo de cinco anos e, o que é pior, um universo que não parecia estar levando a história pra frente. A cada episódio éramos obrigados a ver os losties se conhecendo e cruzando seus caminhos mais uma vez, em situações que pareciam (apenas pareciam!) irreais e forçadas, como a carona de Kate a Claire no segundo episódio, What Kate Does, para citar o exemplo mais óbvio.

Por outro lado, as aventuras na nossa velha e querida ilha não poderiam estar mais eletrizantes. Os sobreviventes logo se vêem obrigados a investigar o templo, (E como foi bom conhecer por dentro um dos locais mais misteriosos da mitologia de Lost!) onde encontram Dogen, um oriental sábio e badass, que domina as artes marciais e se compromete a proteger os losties do “vilão” Flocke. (Ou MIB, ou Esaú, ou Monstro de Fumaça, enfim, qualquer nome que você tenha dado para o homem de preto que conversa com Jacob no final da quinta temporada.)

Vilão entre aspas mesmo, porque se tem uma coisa que Lost teve sucesso em fazer desde seu primeiro episódio foi passar longe do maniqueísmo barato. Seus personagens nunca foram separados entre bonzinhos e malvados. Eram todos pessoas complexas e bem construídas que sempre tiveram boas motivações para fazer o que faziam. E é claro que com Flocke não seria diferente. Mas isso é um assunto que trataremos mais pra frente, ao analisarmos o polêmico episódio “Across The Sea”.

Por ora, fica o registro de que o miolo da temporada desenvolve de modo incrivelmente empolgante o conflito entre Flocke e os losties, que descobrem ser candidatos eleitos por Jacob para tomarem seu papel na ilha, e por isso devem ser mortos para que Flocke possa realizar seu grande sonho, que é sair da ilha. A tensão é constante, muitas vidas são perdidas, e freqüentemente ficamos na ponta da cadeira enquanto a fumaça negra recruta seu exército e extermina quem fica no caminho de seu sonho.

Enquanto isso, no universo paralelo, os flash-sideways vão ganhando rumo e complexidade com o passar dos episódios. “Dr. Linus” é simplesmente brilhante em suas analogias. Se no nosso universo Ben é um manipulador ardiloso, nos flash-sideways é um dócil professor que só pensa no bem estar de seus alunos. Ministra aulas sobre Napoleão e diz que o mais doloroso para o imperador não foi terminar sua vida preso numa ilha, mas sim a perda de seu poder, expressando exatamente a situação em que se encontra o Ben de nosso universo. Essa é uma daquelas pontes geniais que só Lost sabe fazer, e felizmente o universo paralelo forneceu muitas delas no decorrer da temporada.

De Dr. Linus pra frente os flash-sideways vão ganhando mais e mais relevância, e começamos a perceber um propósito se aproximando no horizonte. Especialmente porque questões e personagens que pareciam abandonados e esquecidos vão finalmente encontrando resoluções muito satisfatórias. “Everybody Loves Hugo” e “Happily Ever After”, centrado num sumido Desmond, são dois exemplos de episódios magistrais, que conseguem desenvolver seus personagens centrais de modo excepcional, revertendo finalmente o quadro e tornando os flash-sideways tão ou mais importantes que o universo principal.

Ainda assim, provavelmente o melhor episódio do meio de temporada é Ab Aeterno, centrado no enigmático Richard Alpert. Tal qual The Constant, na quarta temporada, trata-se de um episódio com começo, meio e fim, cuja narrativa se sustenta sozinha. Neste belíssimo episódio com ares hollywoodianos, tamanho o valor da produção, ficamos sabendo como Richard chegou na ilha, quais suas motivações, como ele parou de envelhecer, qual seu relacionamento com Jacob, enfim, tudo que você sempre quis saber sobre o personagem. De brinde, recebemos várias informações sobre a milenar disputa entre Jacob e o homem de preto, o que deixou todos os espectadores muito satisfeitos na ocasião.

Ora, se o episódio em forma de flashback que conta as origens de Richard foi tão bom e agradou tanto os fas, deve-se imaginar que um centrado em Jacob e seu rival seja ainda melhor e agrade ainda mais, certo? Bom, sim e não.

Antes de mais nada, Across The Sea, o tal episódio centrado em Jacob e seu rival, não é nada menos que épico e brilhante em sua execução. Sendo assim, descobrir que grande parte da crítica e do público ficou extremamente insatisfeita com o rumo da série a partir daqui é algo que me deixa consternado até hoje.

A primeira reclamação infundada surge logo no inicio do episódio, quando vemos o nascimento de Jacob e seu irmão/rival sem nome. Muitos se sentiram enganados pela ausência de nome, e não conseguiram aceitar que as coisas simplesmente são assim. Também não conseguiram perceber que a ausência de nome fazia o personagem funcionar perfeitamente como uma metáfora. Como disse Jacob, “há muitos nomes para ele”, então cabe ao espectador encontrar o que julga mais adequado para sua percepção do personagem.

Outra reclamação equivocada e constante recaiu sobre as costas da personagem conhecida como “mãe”, a mulher que tomou conta dos dois irmãos desde pequenos. Choveram reclamações acerca de sua origem misteriosa. Ora, toda historia começa de um certo ponto, certo? É difícil aceitar que a história dos personagens que nos interessam se inicia com Jacob e seu irmão, e tudo que veio antes deles é completamente irrelevante para a narrativa? Retroagir eternamente na linha do tempo é buscar o impossível. De onde veio o universo? Do Big Bang. E de onde veio o Big Bang? Do choque de partículas sub-atômicas. E de onde vieram as partículas?

Acho que me fiz entender. Sempre chega um momento em que devemos simplesmente aceitar as coisas e parar de perguntar para não esbarrar numa área que escapa da ciência. Se os antepassados da “mãe” fossem revelados, ainda seria cobradas respostas sobre os antepassados de seus antepassados, e assim por diante. Aceitar que a história se inicia com a “mãe” não é deixar de cobrar respostas, é ter a sensatez de perceber que a história de Lost é somente sobre os sobreviventes da Oceanic, então tudo que precisamos saber é a origem das pessoas que os trouxeram para a ilha, pois é ali que a nossa história tem início. Tudo que vem antes disso é completamente dispensável e fora do foco principal.

Os insatisfeitos que cobram respostas sobre questões inimagináveis seguiram reclamando de praticamente tudo sobre o episódio. A luz, o coração da ilha, um elemento tão bonito e poético, foi tratado como algo simplório e ridículo, jogado às pressas para o final. Os críticos parecem ter esquecido que desde o começo da série foram mostradas as propriedades eletromagnéticas da ilha, e que a própria luz já havia dado o ar de sua graça, pois, como descobrimos, a roda que desloca a ilha no tempo e no espaço faz parte de um sistema que se conecta a essa mesma luz. “Mas como funciona o sistema?”. De novo, se esbarra no questionamento que retroage infinitamente. O que interessa para a história de Lost é que a roda está lá. Ver que o homem de preto foi o responsável por sua elaboração é toda resposta que se deve exigir, e ela foi dada.

Across the Sea segue essa linha de revelações e reclamações injustificadas ao longo de toda sua duração. Quando é revelado que a origem do monstro de fumaça é o corpo do irmão de Jacob sendo jogado na tal luz que é o coração da ilha, muitos ainda se perguntam “mas o que exatamente aconteceu na luz?”. A verdade é que tudo isso é fruto de um erro de percepção: Os que partem da falsa premissa de que Lost é uma série sobre perguntas e respostas, saem frustrados. É compreensível que pessoas, ao encontrarem um enigma, partam do pressuposto de que a resposta para ele será importante. O que não é compreensível é que as pessoas assistam Lost por seis anos e não tenham percebido que o mais importante elemento do seriado nunca foram as respostas para os enigmas, mas sim o desenvolvimento e interação dos personagens afetados por esses enigmas.

Parece até que eu estou defendendo um episódio desprovido de respostas, mas o fato é que Across the sea nos mostra tudo que é preciso saber sobre as relações entre Jacob e seu irmão. É revelado como e por que Jacob assumiu o papel de protetor da ilha, como e onde nasceu a rivalidade entre os dois, por que o monstro de fumaça procura matar Jacob desde então… Em resumo, tudo que é essencial para a construção psicológica dos personagens foi respondido, sem deixar quaisquer pendências. Se antes o homem de preto podia ser encarado como um vilão sem escrúpulos, depois deste episódio pudemos constatar que ele era apenas um homem atormentado pelas mentiras que lhe foram contadas desde seu nascimento. Brilhante construção de personagem.

Embora o final da série e Across the Sea sejam separados pelo ótimo episódio preparatório “What They Died For”, a verdade é que sua percepção sobre o primeiro dita com exatidão o que você achará do fim. Se você, acertadamente, entende que Lost é um seriado sobre pessoas, e seu maior interesse é ver como suas histórias serão fechadas, você está pronto para a jornada final. Se, por outro lado, assiste Lost apenas para obter as respostas para enigmas irrelevantes como “de onde veio a Mãe?” ou “Pra onde foi o tubarão da Dharma?”, então o melhor a fazer seria assistir a série desde o início novamente e tentar captar o real foco do seriado porque, francamente, você não é digno de acompanhar o fim Lost.

Fica a impressão de que eu estou organizando as coisas em preto e branco, separando aqueles que merecem ver o final daqueles que não merecem, como se só existissem dois caminhos possíveis, mas não é bem assim. Existem centenas de modos diferentes de encarar o seriado, até porque o final é aberto a interpretações. Mas a única coisa 100% certa na história da série é que ela é, foi, e sempre será sobre as pessoas. Quem questiona isso está simplesmente negando a realidade. Claro, há estações Dharma e viagens no tempo, mas elas sempre foram meros acessórios na vida e desenvolvimento dos losties, e se você, por alguma razão, conseguiu se importar mais com esses elementos do que com os personagens, sinto informar mas perdeu seu tempo, e a culpa foi única e exclusivamente sua. Lost sempre se vendeu como um drama com contornos de Sci-fi, e não o contrário.

O episódio final, “The End”, não é apenas um grande episódio. É o melhor episódio já desenvolvido para a televisão até hoje. Foi tecnicamente irrepreensível, e emocionante como nada que eu já tenha visto antes.  Quem entende minimamente de Lost já sabia que o final seria comovente, mas acho que ninguém imaginava o quão poderoso e devastador ele poderia ser. Pergunte a qualquer um que assistiu ao episódio se ele terminou a experiência mergulhado em lágrimas e obterá sempre a mesma resposta. Porque Lost, em seu final, não tratou de perguntas supérfluas e irrelevantes. Não, Lost falou de questões existenciais que interessam a todos nós.

Mas antes de mergulhar na história do series finale, eu preciso registrar alguns elogios. Primeiramente ao grande maestro Michael Giacchino, um homem cujas composições chegam a rivalizar em qualidade com as do mestre John Williams. Cada nota do episódio é cuidadosamente planejada com carinho para causar o máximo de emoção possível. Além disso, praticamente todos os temas da série dão as caras no final, causando alegria e nostalgia nos fãs mais atenciosos.

O diretor Jack Bender, o mais tradicional da série, também acerta em cheio e entrega um episódio ágil que é uma verdadeira montanha russa de emoções, pois a ação frenética é sempre intercalada com cenas de amor e redenção, não lhe dando um segundo sequer para respirar ao longo das quase duas horas de duração. Quando você não está consumido pela adrenalina, está consumido pelas lágrimas. Tudo na medida certa. (Leia-se: Tudo em doses cavalares.)

Jack Bender também sabe tirar o máximo de seus atores, e todos eles pareciam dispostos a dar seu melhor no episodio derradeiro. Não há prêmios emmy suficientes no mundo para descrever a performance de Terry O’ Quinn como Locke/Flocke. Sua cara de insanidade deslumbre ao encontrar a luz da ilha, e sua comovente expressão no momento em que entende o papel do universo paralelo são o máximo que um ator pode aspirar alcançar na vida. Também dignas de elogio são as performances de Matthew Fox, o Jack, que teve um material excelente para trabalhar, e nos convenceu e emocionou o tempo inteiro, e Michael Emerson, o Ben, que infelizmente não teve tanto tempo de tela nesta temporada, mas que sempre forneceu atuações do mais alto nível. Citar o nome de todo o elenco consumiria espaço demais, mas fica o registro de que absolutamente todos os envolvidos no projeto deram seu melhor. Até mesmo Evangeline Lilly faz um bom trabalho, de modo que ficou impossível não nutrir simpatia até mesmo pela sempre odiosa Kate.

Também é impossível não me rasgar em elogios a dupla de roteiristas Damon Lindelof e Carlton Cuse, que escreveram a história mais bonita de nossa geração. Repleto de referencias a temporadas passadas, o episódio definitivo de Lost nos lembra constantemente que tudo pelo que passamos serviu para nos conduzir até este momento derradeiro.

Todas as questões importantes da ilha foram resolvidas no decorrer do episódio, todos os conflitos foram solucionados, e tudo foi o mais épico e climático possível. Os reencontros finais entre os personagens comoveram até mesmo os mais insensíveis, e se você não chorar com alguma das redenções e reencontros, pelo menos pode ter a certeza de que vai chorar nos dez minutos finais com a mensagem de apelo universal do seriado.

Com o passar dos anos, nos acostumamos a receber tapas na cara com as reviravoltas dos finais de temporada, mas é seguro afirmar que nenhum foi tão intenso e gratificante quanto a reviravolta final: O universo paralelo, até então encarado como uma bifurcação de caminhos, a estrada não tomada, uma variável de nossa história, era, na realidade, um outro plano de existência, atemporal. Chame de purgatório, de plano superior, chame do que bem entender, o que interessa é que todos os personagens foram para lá após cumprirem seus papéis por aqui, em busca da redenção final. Tudo que assistimos ao longo da temporada e que podia parecer tolo ou sem propósito no início acabou adquirindo uma profundidade inacreditável.

Numa análise fria desse cenário, você pode pensar que todos viveram vidas miseráveis no nosso plano. Quantos personagens não morreram deixando pendências e dores para trás? Veja o caso de Locke, que foi assassinado por Ben e nunca pôde comprovar se era especial ou não, e sequer pôde testemunhar Jack se tornando um homem de fé. Veja Faraday, que viu sua amada Charlotte morrer em seus braços pouco antes de ser morto pela própria mãe. Praticamente todos os personagens nos deixaram com um histórico de sofrimento para trás.

Mas então você encontra os personagens novamente nos flash-sideways e percebe que o que interessa não é a dor nem o que você realiza ou deixa de realizar na vida, mas sim as pessoas com quem a sua jornada foi compartilhada, pois é essa relação que persiste quando todo o resto se vai, e é através delas que os personagens acham sua redenção e conseguem, enfim, se encontrar.

Tudo se encaixa de modo sublime. Jack, sempre tão focado em ajudar os outros em vida, é ajudado por todas as pessoas importantes que passaram por seu caminho a encontrar seu lugar. A simetria é belíssima: Jack começa sua jornada acordando na selva, perdido e sem rumo, e encerra sua aventura deitando, agora realizado, exatamente no mesmo lugar, só que agora com um sorriso no rosto. Sorri porque sabe que fez parte de uma experiência maior que ele mesmo. Encontrou seu propósito afinal, e agora pode descansar com seus amigos.

E depois de derramar tantas lágrimas nós também devemos sorrir. Porque não assistimos apenas um seriado, nós vivemos um evento que será lembrado para sempre. Somos afortunados porque tivemos a honra de olhar nos olhos de Lost, e o que nós vimos foi lindo.

POPoints: 100%

– Thomas Schulze





Transformers: Revenge Of The Fallen (2009)

9 05 2010

Apelativo? Nem, nem...

Explosão. Fiapo de história. Explosão. Fiapo de história mal contada. Explosão. Humor. Explosão gigante. Fiapo de história ainda mais mal contada. Explosão. Você para de se importar com a história. Explosão. Explosão. Explosão.

Se essa sequência lhe ofende, as chances de você odiar o diretor Michael Bay e seu Transformers: Revenge Of  The Fallen são bem grandes. (E, acredite, você não seria o único a abraçar esse ponto de vista.) Mas eu tenho um pouco de compaixão por Michael Bay e sua obra. O diretor é limitado, sabe disso, e portanto abusa das explosões e dos clichês numa tentativa pueril de divertir o público.

Bad Boys e A Rocha são grandes filmes pipoca que comprovam a eficiência da fórmula Bay quando bem executada. O problema é que quando Bay erra, ele erra feio. Resta saber, então, se o novo Transformers se aproxima mais do ótimo Armageddon ou do aborto chamado Pearl Harbor.

A resposta é simples: Fica no meio do caminho. Trata-se de um filme que tem seus momentos, mas que sofre com algumas falhas graves.

Você realmente consegue odiar um diretor que trouxe Armageddon ao mundo? Eu não.

Em Revenge of the Fallen, Shia LaBeouf reprisa seu papel de Sam Witwicky. E Sam, embora eficiente no papel de protagonista-padrão-amigo-dos-robôs, hospeda o primeiro problema do filme: Deixou de vestir a camisa da banda The Strokes.

Pode parecer algo pequeno, mas tal vestimenta era uma das poucas coisas que forneciam carisma ao protagonista. Sem ela, resta apenas um cara sem personalidade, cuja única função é correr pra cá e pra lá fingindo que é útil. Não custava nada escolherem uma nova roupa interessante para o pobre Sam. Sem uma camisa legal, todo o carisma que Sam obtém no novo filme é obtida por tabela de seus pais, que entregam os melhores momentos humorísticos do filme, como na cena em que visitam e constrangem o filho na faculdade. Tal cena é incrivelmente divertida e conta com uma ótima interação entre os personagens. É uma pena que o filme não tenha muitas outras neste estilo.

Voltando aos personagens, temos John Turturro novamente vivendo o ligeiramente inquietante agente Simmons. Um personagem confuso, mas que acaba se adaptando melhor à “história” deste filme que a do anterior. E não é possível deixar de analisar também a personagem Mikaela, interpretada por Megan Fox, certamente a atriz mais hypada deste século.

Pois bem, Megan Fox virou uma paródia de si mesma. No primeiro Transformers, ela chocou o mundo com sua beleza e excelente forma física, de modo que ninguém se preocupava com sua atuação ou com a história de sua personagem. Quando você a reencontra em Revenge of the Fallen, a surpresa já não é mais a mesma, você já está familiarizado com sua aparência, então começa a esperar algo mais. Talvez uma grande atuação e/ou bom desenvolvimento de personagem. No entanto, não recebe nenhum dos dois. Mikaela apenas corre de lá pra cá com sua sempre limpa calça branca (que não suja mesmo rolando na areia egípcia), enquanto Megan a interpreta no piloto automático, tal qual um robô.

E já que estamos falando em robôs, saiba que há novos Transformers em cena, e eles atingem resultados variados: Há um decepticon interessante que pode se transformar em humano, o que se mostra empolgante e gera boas cenas. (Embora o fato de um robô virar humano ao invés de veículo possa ofender os fãs mais puristas) Há também um robô velho chamado Jetfire que precisa de bengala, o que é meio cômico e sem sentido, e um robô minúsculo domesticado por Mikaela, que deveria fornecer alívio cômico, mas não fica tempo suficiente em cena.

The Fallen, o grande vilão, fica apenas na promessa, pois surge como um imperador Palpatine em potencial, mas acaba sumindo do filme aos poucos sem motivo aparente. Temos a inclusão de dois robôs gêmeos pelos Autobots, Skids e Mudflap, que a princípio parecem carismáticos, mas depois se mostram levemente inconvenientes.

Há ainda uma infinidade de outros robôs em cena, mas, acredite, a esmagadora maioria não exerce qualquer ação relevante, e está lá apenas pra aumentar a contagem de corpos e explosões.

Isso remete ao maior problema do primeiro filme, que eram as sequências de ação, nas quais era virtualmente impossível visualizar qual robô estava em cena, e em quem ele estava batendo. Em Revenge of the Fallen, isso é atenuado, mas não muito.

Se você consegue identificar esse Transformer em menos de 42 segundos, eu te odeio.

Algumas cenas são realmente empolgantes, como quando Optimus Prime enfrenta uma série de Decepticons na floresta. É fácil entender o que está acontecendo, então a experiência é gratificante. Já a batalha final no Egito é extremamente caótica, e em algumas ocasiões é impossível saber onde exatamente está seu robô favorito. (Mas, de novo, não chega perto do caos que era a sequência final do filme anterior.)

Se a ação melhorou, existe um novo pecado, quase imperdoável: A duração absurda do filme (Bem mais que duas horas). Ora, se você não tem uma história para contar, não engane a audiência. Vá direto ao ponto e soque tudo em uma hora e meia, como ocorre nos bons filmes de ação.

O público alvo deste filme é bem definido: Se você é o tipo de pessoa cujo ideal de diversão é passar mais de duas horas vendo tanques, jatos e soldados atirando, destruindo e sendo destruídos por robôs, com as cenas de ação sendo intercaladas somente por um pouco de humor e belas silhuetas femininas, este é o seu filme. Agora, se você procura um filme com conteúdo, passe longe.

POPoints: 63%

– Thomas Schulze





The Expendables (2010)

25 04 2010

POPoints: 1000%

– Gerhard Seibert, Thomas Schulze





Mario Kart 64 (1996)

15 04 2010

A sensacional e pilhante tela de abertura em toda sua glória 64 bits.

Para muitos, inclusive para este que vos escreve, Mario Kart 64 é a experiência multiplayer definitiva. Há quem diga que Goldeneye 007 possui multiplayer superior. Não é verdade. Goldeneye é, sim, um game superior, que conta com multiplayer robusto e um modo single player desafiador, que te faz sempre voltar para bater seus recordes de tempo, mira, etc.

Mas o fato é que, em 1996, não existia nada mais divertido que juntar-se a 3 amigos em frente a televisão e organizar campeonatos de Mario Kart 64.

Afinal, se as disputas para dois jogadores no Super Nintendo já era divertida, imagine o resultado do acréscimo de dois controles extras? Não é preciso ser um gênio para perceber que 2 controles + 2 controles = Diversão ao quadrado.

Nem mesmo a jogatina online de Mario Kart Wii consegue bater a diversão de disputar campeonatos locais com seus amigos.

Como não poderia deixar de ser, dos 16 para os 64 bits, atualizações foram feitas. Os gráficos, mais uma vez, são sensacionais. As pistas deixaram de ser micro-circuitos de 5 voltas, dando lugar a rallys de 3 voltas. Com a tecnologia 3d proporcionada pelo potente hardware do Nintendo 64, as pistas ganharam relevo, o que tornou toda a geografia muito mais interessante.

Dentre os novos circuitos, destaco Sherbet Land e seus irritantes (leia-se: geniais) pinguins bloqueadores de passagem, e Yoshi Valley e suas várias rotas que transformavam a pista em um verdadeiro labirinto. Por outro lado, algumas pistas são um tanto vazias, como Wario Stadium e Kalimari Desert.

Os itens, como era de se esperar, sofreram adaptações ao migrarem para a nova plataforma da Nintendo. Com os novos modelos de pista, itens como a peninha, que permitia saltar obstáculos e cortar boa parte do circuito, se tornaram inúteis e foram eliminados. Também sumiram as moedas que aumentavam a velocidade, o que tornou as colisões entre carros mais comuns, afinal, estas não eram mais punidas com a perda de moedas. Novos itens, como o casco triplo, se mostraram ótimas adições, e acrescentaram ainda mais tática para as corridas.

No geral, Mario Kart 64 é o mais equilibrado da franquia no quesito itens. É uma pena que, pouco depois de seu surgimento, o casco azul ficaria louco e tornaria as corridas inconvenientemente dependentes de sorte. Mas isso é assunto para os reviews futuros.

A lamentar, temos a exclusão de Koopa Troopa, a carismática tartaruga do exército de Bowser. Perdemos também Donkey Kong Jr., mas sua ausência praticamente não é sentida, já que em seu lugar entrou o próprio Donkey Kong. Wario também entra em cena, o que na época foi uma ideia sensata, mas…

...que acabou servindo de pretexto para a inclusão de péssimos personagens como Waluigi nas versões futuras.

Com novos itens, pistas maiores, e o dobro de jogadores, Mario Kart 64 é apenas levemente inferior a seu irmão mais velho, e um dos melhores jogos da biblioteca do Nintendo 64.

POPoints: 94%

– Thomas Schulze





Big Brother Brasil 10 (2010)

31 03 2010

O maior portal do Brasil? Sei lá, a UOL, a Globo, talvez o Ter-... *poder* Ah, perdão, é o Verdade Absoluta!

Para delírio de alguns e desespero de outros, o Big Brother Brasil chegou à sua décima edição. Um feito impressionante, especialmente se levarmos em conta que até mesmo na Holanda, país de origem do programa, ele já foi cancelado. Mas no Brasil o Big Brother se tornou parte da vida da população. Algo tão essencial quanto o futebol e a novela; parte fundamental da cultura nacional; algo que simplesmente não da para ser evitado, por mais que você tente.

O BBB está sempre na capa dos jornais, nos Trending Topics do Twitter, e até mesmo como notícia nos programas das emissoras concorrentes. Vai entender.

VAI TOMAR NO CU, mascotinho de merda!

A décima edição do BBB começou do pior modo possível. Mesmo. Com uma vinheta de abertura que acabou mostrando os participantes da edição passada ao invés da atual, e com uma prova de resistência que não valeu uma liderança para o vencedor (!?), mas sim a entrada de uma Ex-BBB na casa. (?!?!) Ex-BBB esta que tinha o poder de… trazer outro ex-BBB pra dentro do jogo. (?!?!?!) Vai entender.

O retorno de dois ex-BBBs foi uma grande novidade, mas não foi a única. Como é de praxe, Boninho e sua trupe nos agraciaram com uma enorme quantidade de invenções. E, como você já deve saber, elas se dividiram entre geniais e extremamente imbecis.

A própria entrada de ex-BBBs, a princípio, pareceu tola. Era óbvio que eles sofreriam alta rejeição e serviriam como alvo fácil para os novos confinados da casa. O que ninguém esperava era que um desses ex-BBBs fosse dono do “poder supremo” e viesse a ganhar o jogo. Vai entender.

O poder supremo, por sinal, foi uma grande invenção, que poderia (na verdade, deveria) ter sido usada mais de uma vez para apimentar a disputa por um milhão e meio de reais. Aliás, era mesmo necessário subir o prêmio em quinhentos mil? Não que eu esteja reclamando, mas foi um aumento tão aleatório que pareceu apenas uma desculpa para dizer que o prêmio do BBB é maior que o da Fazenda da Record, e a Globo, grande do jeito que é, não deveria se preocupar com isso.

"Ok, vocês dão R$500.000 a mais de prêmio, mas nós temos Britto Junior. Rá!"

O quarto branco, grande polêmica do BBB 9, voltou, mas ninguém deu a mínima pra ele. Assim como ninguém deu a mínima para os telespectadores que entravam no ar ao vivo para revelar o voto de determinado participante em troca de um carro. (Mas até que esta era uma boa ideia no papel, pois podia gerar situações constrangedoras no melhor estilo The Office. Mas acabou não rolando, então foi apenas um modo de torrar 2 minutos de cada paredão com propaganda.)

Ninguém parece ter dado a mínima também para a elaboração das provas de liderença, pois o que mais tivemos foram provas mal produzidas e mal explicadas, que volta e meia acabavam resultando em eliminações duvidosas e revisões de liderança. Será que ninguém simulava as provas antes de colocá-las no ar? Vai entender.

As festas, no geral, foram boas. O pocket show que Nelly Furtado realizou para cinco pessoas tinha tudo para dar errado, mas foi extremamente agradável e bem executado. A festa da Claro em que os brothers podiam selecionar as músicas em um aparelho também foi bastante empolgante e serviu para conhecermos um pouco mais dos seus gostos musicais.

Algumas festas, entretanto, deixaram a desejar. Era mesmo necessário convocar novamente o “””DJ””” André “Leitão” Marques? E por que a competente banda cover dos Beatles teve seu show cortado em menos de meia hora? Vai entender.

A escolha dos participantes foi, no mínimo, eclética. Divididos em tribos, (Sarados, Ligados, Coloridos, e outros derivados de esteriótipos nada criativos) ficou claro desde o primeiro dia que a intenção da direção era fazer do BBB 10 o BBB da diversidade e da tolerância, passando bons valores e ensinamentos para a família brasileira.

Claro, a boa intenção não podia ter falhado mais miseravalmente do que falhou, e a população brasileira foi submetida a um modelo que berrava frequentemente com mulheres, uma drag falsa e preconceituosa, um gay que na verdade era bissexual, e até mesmo um homem que tinha uma suástica tatuada e que proclamou que “Só os homossexuais transmitem a AIDS.”. Homem este que acabou vencendo o jogo. Merecidamente. Vai entender.

E já que estamos falando em falhas, impossível deixar de mencionar…

...Mauricio Ricardo, o maior comedor de palhacitos do Brasil.

Por alguma razão, Mauricio continua a ter suas charges transmitidas nos programas de eliminação, e elas continuam constrangendo a nação com sua total ausência de graça, obrigando constantemente o pobre apresentador Pedro Bial a soltar falsas risadas numa pífia tentativa de nos convencer de que acabamos de assistir algo legal e hilário. A sorte é que Pedro Bial estava mais confortável do que nunca no comando do BBB.

Confortável até demais. Tanto conforto acabava fazendo o apresentador perder a noção ocasionalmente e brutalizar a família brasileira com pesados comentários sexuais. “Trouxe seus brinquedinhos pra aliviar a carência, Maroca?” e “Hmmm, tá com o joelho todo ralado, hein, Michel? O que você tá aprontando?” são apenas dois exemplos de comentários infelizes que devem ter deixado vários pais de família em situações desconfortáveis com seus filhos.

Nem todos os comentários sexuais ofensivos conseguem tirar o troféu "Maior pérola do Bial no BBB" da frase "Eu tenho medo de mulher." Sim, isso foi dito. Sim, isso foi incrivelmente constrangedor para todos.

Balanço geral: Tivemos alguns participantes peso-morto, como sempre. Alguns deles (Maroca, Fernanda) renderam no jogo muito mais do que deveriam, como sempre. Jogadores interessantes e carismáticos (Alex, Tessália) saíram muito mais cedo do que deveriam, como sempre. O vencedor já era conhecido desde a metade do programa, como sempre. Ano que vem todos vão parar tudo que estiverem fazendo pra acompanhar o programa, como sempre. Vai entender.

POPoints: 67%

– Thomas Schulze